Homenagem a Edwin van der Sar

domingo, 29 de maio de 2011

Vim morar aqui em Campos em 1994 mas foi só em 95 que passei a me interessar mais de perto pelo futebol. Foi o ano em que o Grêmio de Jardel, Paulo Nunes e Danrlei (dirigido pelo Felipão) conquistou seu 2º título da Libertadores da América e havia toda uma expectativa pela final do Mundial Interclubes, a ser disputada contra os holandeses do Ajax.

Eu tinha pouquíssimo contato com futebol europeu, então. O pouco que sabia era o que o Globo Esporte e a revista Placar me contavam. E o que eles me contavam era que o time que enfrentaria o Grêmio era uma equipe comparável ao lendário Carrossel Holandês, um time que tocava a bola exaustivamente e que tinha em seu enorme goleiro uma espécie de líbero, sempre pronto a receber um passe fora da grande área e redistribuir a bola. O nome desse goleiro era Edwin van der Sar. Ele não estava em início de carreira (já era profissional do Ajax desde 1990) mas era um completo desconhecido pra mim.

Ao contrário do que se esperava (embora não se pronunciasse em voz alta, em respeito aos gaúchos), o Ajax não goleou implacavelmente o Grêmio. O jogo foi 0 a 0 e os holandeses conquistaram o títulos nos pênalties. Melhores momentos do jogo.

Nos anos seguintes, ainda que eu pouco tenha ouvido falar dele (à exceção da época da final da Liga dos Campeões perdida para a Juventus) fiquei com sua imagem gravada na mente, com toda sua altura e elegância com a bola nos pés. Até que em 1998 ele enfrentou o Brasil pela semifinal da Copa, sofrendo um gol de Ronaldo e perdendo nos pênalties.

Em 1999 ele foi contratado pela mesma Juventus que o derrotara em uma final de Champions League. Embora nessa época eu não assistisse ao Campeonato Italiano, chegavam muitas notícias dele por causa do Ronaldo e sua Internazionale. Mas por alguma razão ele nunca conquistou a torcida da Velha Senhora e eu me esqueci completamente dele quando em 2001 a Juve contratou o Buffon.

Corta para a temporada 2003-2004 quando a ESPN começa a transmitir o Campeonato Inglês. Foi a temporada do título invicto do Arsenal, e eu fique espantado em encontrar van der Sar com a camisa número 1 do modesto Fulham, de Londres. Parecia um imenso desperdício de talento mas nenhum dos grandes clubes europeus parecia querer apostar nele, o que fez com que permanecesse em Londres por 4 temporadas (já estava lá desde 2001).

Enquanto isso, o Manchester United penava com goleiros medianos como Roy Carroll e Tim Howard. Até que sir. Alex Ferguson resolveu dar um basta a esta situação contratando o gigante holandês que vinha desperdiçando seu bom nome preocupando-se apenas em manter o Fulham na metade de cima da tabela.

Pronto. Nosso herói enfim estava de volta aos holofotes (e de volta à minha TV, já que raramente um jogo do Fulham era transmitido), disputando grandes jogos e mostrando a importância de um grande goleiro a qualquer time que queira conquistar alguma coisa. A 1ª temporada do time com ele foi uma bela porcaria, com o time sendo eliminado na 1ª fase da Champions, mas a confiança de Ferguson foi recompensada. Em 2008 o clube foi campeão da Champions, batendo o Chelsea na final, após empate em 1 a 1 em 120 minutos e vitória por 6 a 5 nos penais (com van der Sar defendendo a cobrança final de Anelka).

Depois disso, Edwin esteve presente em mais duas finais de Champions, tendo perdido ambas para o Barcelona de Messi, inclusive a que foi realizada ontem, no último jogo de sua bela carreira. Sendo assim, boa aposentadoria pra ele.

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