Progresso ilusório

sábado, 28 de maio de 2011

Segue abaixo um trechinho de Onde os homens conquistam a glória (de Jon Krakauer, traduzido por Ivo Korytowski), minha leitura atual. Uma pequena amostra da insanidade que é uma guerra:

Durante uma investigação da morte de Tillman sete meses depois, o general de brigada Gary Jones perguntou ao primeiro-sargento da Companhia Alfa Thomas Fuller: "Quero dizer, por que aquela missão precisava chegar lá tão rápido?".

"Acho que não houve nenhum motivo", Fuller depôs sob juramento. "Acho que muitas vezes no [quartel-general] superior - talvez até, veja bem, acima do [quartel-general do] batalhão - eles podem ter um cronograma, e então simplesmente sentimos que temos que cumprir esse cronograma. Não existe nenhuma 'informação' por detrás. Não existem... veja bem, não existe nenhum evento por detrás. É só um cronograma, e sentimos que temos de cumpri-lo. É isso que determina este tipo de coisa." Em outras palavras, a sensação de urgência associada à missão adviera tão somente de uma fixação burocrática em cumprir prazos arbitrários, para que missões pudessem ser ticadas numa lista e marcadas como "realizadas". Essa ênfase na quantificação sempre foi uma marca das Forças Armadas, mas foi levada a novos níveis de estupidez durante a gestão de Donald Rumsfeld no Pentágono. Rumsfeld vivia obcecado com obter "indicadores" positivos que pudessem ser exibidos como sinais de progresso na Guerra Global contra o Terrorismo, ainda que tal progresso fosse apenas ilusório.


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