Borogodó

segunda-feira, 6 de julho de 2009

(...) foi aí que as cervejas Perkn fizeram sentido em meu globo auricular e eu entendi que La Fischer estava me pedindo, certa de que eu seria macho demais para lhe recusar qualquer ordem, ela me pedia para tirar de cena, colocar na rua, fora da boate, o fotógrafo ao meu lado. (...) Vera Fischer não sabe, e o barulho ao redor me deu a impressão de que não seria o momento de explicar, que um dos juramentos do repórter moderno, com a mão estendida sobre o ensaio de Tom Wolfe a respeito do new journalism, é que em público será dado a todos que estão do lado de cá do ringue o direito constitucional de posicionar suas máquinas para bem quiserem, assim como aos que estão na outra posição será outorgado o beneplácito de botarem pra quebrar, passarem suas mensagens com a roupa que bem entenderem.

O excerto acima é um trecho de Em Busca do Borogodó Perdido, coletânea de crônicas do genial Joaquim Ferreira dos Santos, que assina a coluna Gente Boa todos os dias n'O Globo, além de ocupar a última página do Segundo Caderno todas as segundas-feiras, com seus textos deliciosos. Abaixo mais um trecho, para deixar os leitores com água na boca:

Estão todos reunidos aqui para a festa de lançamento de uma novela da Globo, uma oportunidade carioca de se ver no mesmo salão um senador da República, um travesti montado de Carmen Miranda, outro de Marilyn Monroe e uma cineasta com dificuldade de explicar o que fez com o dinheiro que o Estado lhe deu para filmar. São todos iguais esta noite. Recepcionistas empertigadas sorriem para um ponto vago no salão onde não tem ninguém. Leram a vida de Adriane Galisteu e sabem que a loura milionária já esteve ali em outra encarnação, faiscando com os olhos o mesmo mantra esperançoso - "me descobre, moço, me descobre".


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