Um escritor nunca esquece

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Estou distante da boa literatura há um bom tempo (cerca de 1 mês, o que para mim é o equivalente a 5 anos para quem não lê quase nada quase nunca). Como foi que consegui ficar tanto tempo longe de textos maravilhosos como o parágrafo abaixo, que abre o livro O Jogo do Anjo, de Carlos Ruiz Zafón, minha leitura em curso (a tradução é de Eliana Aguiar)?

Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita algumas moedas ou um elogio em troca de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente o doce veneno da vaidade no sangue e começa a acreditar que, se conseguir disfarçar sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de garantir um teto sobre sua cabeça, um prato quente no final do dia e aquilo que mais deseja: seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente vai viver mais do que ele. Um escritor está condenado a recordar esse momento porque , a partir daí, ele está perdido e sua alma já tem um preço.

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