Declaro reaberta

domingo, 25 de janeiro de 2009

Estou com 27 anos. Durante muito tempo quis ser um escritor de verdade, daqueles que têm livros publicados, com seu nome em caixa alta, e que todo santo dia passam horas em frente ao computador ou máquina de escrever, dando forma a tramas inovadoras e vida a personagens interessantes.

De uns anos prá cá, esse plano foi varrido para baixo do tapete, pelo simples fato de que eu não consigo dar vida a um único parágrafo que não seja um catálogo de clichês e frases feitas. Sempre faltou-me a grande idéia, o grande plot, a história que nasceria em minha cabeça e que necessitaria apenas de tradução para o papel. Minha justificativa para o abandono do plano era “sou jovem, não vivi nada ainda, como pode alguém que nada sabe sobre a vida ser capaz de escrever sobre ela? Chegará um dia em que terei vivido o suficiente para não me faltar assunto”.

Bem, no ritmo em que minha tediosa existência segue, o momento em que terei vivido o que poderia considerar “o suficiente” não chegará jamais. Sendo assim, declaro reaberta minha oficina de escritos molambentos, aos quais pretendo dedicar-me e ver o que sai disto.

Comments

11 Responses to “Declaro reaberta”
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Borges disse...

É isso aí.

18:09
De Kelby disse...

Saramago começou a publicar romances depois dos 50 anos de idade. Hoje ele é o que é; Truffaut adaptou dois romances (Jules e Jim, e Duas inglesas e o amor) de um escritor obscuro cujos livros ele encontrou num sebo de Paris. Detalhe: o escritor havia escrito apenas esses dois romances depois dos 70 anos! A propósito, estou lendo um romance formidável (O leopardo) que é o único romance do escritor (Lampedusa) o qual foi terminado de ser escrito no ano de sua morte, se não me engano aos 61 anos. Ah, meu caro, os exemplos são tantos! Não precisamos de mais livros nesse mundo, a não ser os que sejam inevitáveis de serem escritos. Não existe idade pra isso. A única exigência natural é experiência de vida, conhecimento livresco e literário e o que é o essencial: praticar! o primeiro vem com os anos, de uma forma ou de outra; o segundo acredito que voce tem. Talvez lhe falte é praticar mais, não sei. Abra um blog de historietas curtas, tudo é válido! Porem o mais importante é escrever coisas que nos satisfaçam como leitores em primeiro lugar. O resto é resto. Também penso em escrever narrativas um dia, mas só se sentir que tenho algo a relatar. Como dizia Caio Abreu, é mais legítimo que os livros nos escrevam, não o contrário. O mais importante, meu caro, é a felicidade e a realização pessoal! Um abraço!

19:41
Jules Rimet disse...

Manda brasa, camará.

12:19
Lívia Nunes disse...

Vamo que vamo!

19:10
De Kelby disse...

Julio, voce já leu W. G. Sebald? Conhece-o? Te interessa? Tem algum livro dele? O que me diz?

21:07

Não li nada dele, mas interessei-me bastante pelo Austerlitz, que ficou nas listas de melhores de 2008 de muita gente boa aqui da internet. Não comprei o livro mas pretendo fazê-lo (está na minha lista de desejos do Submarino).

E você? Já leu algo dele?

21:42
De Kelby disse...

Não, mas li trechos que me fizeram apaixonar imediatamente: pretendo comprar quantos livros dele forem possíveis ainda esse anos!

22:22
De Kelby disse...

A propósito, conhece esse blog sobre literatura? http://gymnopedies.blogspot.com/ Muito bom!!!

22:25

Conheci há pouco tempo, quando fui procurar coisas sobre o Updike - por ocasião de sua morte. Também gostei muito.

Aliás, você já leu alguma coisa do John Updike?

22:31
De Kelby disse...

Há alguns meses negociei uma troca no sebo de Salvador de alguns livros novíssimos que ele tinha, inclusive "O terrorista" do Updike; nem sei se é um bom livro, tomara que seja, as frases são longas, bem articuladas, gosto disso. Mas ainda não li. Tá na fila!

16:14

E então, já tem algo moldado que o satisfaça? Alguma ideia pipocando na cabeça?

21:15