"Olha ali quem está pedindo aprovação"

sábado, 30 de agosto de 2008

Em 2003, Los Hermanos lançaram o álbum Ventura que, entre outras pérolas, trazia duas obras-primas sobre a inadequação do ser humano ao mundo. Eram a sensível e tocante "De onde vem a calma" e a acelerada e selvagem "Cara estranho", minha favorita.

Abaixo segue o clipe desta música, que consegue expressar muito bem a idéia de "Parece não achar lugar/ No corpo em que Deus lhe encarnou":



Cara Estranho

Olha só, que cara estranho que chegou
Parece não achar lugar
no corpo em que Deus lhe encarnou
Tropeça a cada quarteirão
não mede a força que já tem
exibe à frente o coração
que não divide com ninguém
Tem tudo sempre às suas mãos
mas leva a cruz um pouco além
talhando feito um artesão
a imagem de um rapaz de bem
Olha ali quem está pedindo aprovação
Não sabe nem pra onde ir
se alguém não aponta a direção
Periga nunca se encontrar
Será que ele vai perceber
que foge sempre do lugar
deixando o ódio se esconder
Talvez se nunca mais tentar
viver o cara da TV
que vence a briga sem suar
e ganha aplausos sem querer

Faz parte desse jogo
dizer ao mundo todo
que só conhece o seu quinhão ruim

É simples desse jeito
quando se encolhe o peito
e finge não haver competição

É a solução de quem não quer
perder aquilo que já tem
e fecha a mão pro que há de vir

Infartos em parapeitos

Meu primeiro contato com o documentário que citei no post anterior foi com uma colna do Arthur Dapieve que li há alguns anos atrás. Vou postá-la aqui embaixo:

Infartos em parapeitos
'A ponte' contorna o tabu do suicídio

Em meados dos anos 70, durante o exílio na Suécia, o jornalista Chico Nelson observou no seu conjunto habitacional de Estocolmo um comportamento que, na ocasião, julgou sui generis. Certo dia, um sueco se suicidou. Na manhã seguinte,Chico comentou casualmente com um vizinho.

A reação foi: “Fulano? Não, ele não se matou. Sofreu um ataque cardíaco, perdeu o equilíbrio e caiu.” Disse isso com tanta convicção que Chico convenceu-se de que devia estar enganado. Fulano só podia ter morrido do coração.

Passaram-se alguns dias. Outro morador pulou para a morte, agora sem a menor sombra de dúvida. Impressionado, Chico comentou o ocorrido com outro vizinho. A reação foi bastante parecida à do vizinho anterior, se não mais rocambolesca. Então, o carioca do Méier atinou que seus anfitriões suecos experimentavam um processo de denegação coletiva.

Ao terceiro suicídio naquele conjunto habitacional de Estocolmo, Chico já não comentou nada com ninguém. Só veio contar a história no Brasil, depois da Anistia.

Chico Nelson morreu há dez anos. Do coração. Mesmo. Nem Brasil nem Suécia, a despeito do que os filmes de Ingmar Bergman possam sugerir, estão entre os países com as mais altas taxas de suicídio (a Lituânia está no topo, com 42 por 100 mil habitantes ao ano). No entanto, lá como cá, as pessoas se matam com freqüência, a ponto de o nosso Ministério da Saúde ter criado, em 2006, uma estratégia de prevenção ao suicídio, batizada Amigos da Vida. E as outras pessoas, as que ficam por aqui, racionalizam infartos em parapeitos.

Saiu no Brasil em DVD, pela Imagem Filmes, um documentário que metafórica e literalmente não vira o rosto à questão. Chama-se “A ponte”. Durante todo o ano de 2004, as câmeras do diretor americano Eric Steel monitoraram a Golden Gate, entre São Francisco e o Condado de Marin, na Califórnia. Registraram parte dos 24 suicídios ali ocorridos, do salto a 67 metros de altura ao impacto nas águas geladas e cheias de correntes do Pacífico Norte. Ao menos num dos casos, o de Lisa Camilli, elas acompanharam o corpo boiando até o seu resgate pela Guarda Costeira. Três dos corpos jamais foram encontrados.

A partir de imagens fortes assim, o documentário procura testemunhas, parentes e amigos de alguns suicidas, revelando, sem sensacionalismo ou moralismo, um pouco da humanidade das pessoas que chegaram a ato tão extremo. Nesse particular, é tocante a entrevista com um dos raros saltadores que sobreviveram, Kevin Hines, de 24 anos. Ele se arrependeu tão logo se atirou ao ar, tentou cair na água da melhor maneira possível e teve duas vértebras estilhaçadas. Acha que foi salvo por Deus, na figura de uma foca.

“A ponte” inspirou-se na reportagem “Jumpers”, escrita por Tad Friend e publicada na “New Yorker” de 13 de outubro de 2003. Nela, o repórter contava como a Golden Gate tornou-se uma espécie de ímã para suicidas vindos de todas as partes dos Estados Unidos. Desde 1937, quando a bela ponte pênsil vermelha foi inaugurada, bem mais de mil pessoas saltaram dela para a morte. A contagem pública de casos foi abandonada em 1995, quando as autoridades perceberam que a aproximação de números redondos acelerava o processo.

Contudo, como relatava Friend, as autoridades até hoje recusam-se terminantemente a instalar grades de proteção ao longo das duas passarelas panorâmicas, que atravessam os 2.737 metros da Golden Gate junto com as seis pistas para automóveis. Embora tais grades pudessem deter a mortandade, alega-se que interfeririam na estética da ponte.

Portanto, continua quase convidativo usá-la como trampolim para o vazio. Há instalações desse tipo, por exemplo, no Empire State, em Nova York, e até na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Grande parte do tabu que cerca o tema tem razões religiosas. Cristianismo, judaísmo e islamismo condenam o suicídio como pecado, ofensa a Deus — a não ser quando as pessoas se matam em nome da própria fé. As implicações filosóficas do ato, o fato de os suicidas não receberem seguro de vida e as acusações implícita ou explicitamente dirigidas aos familiares dos mortos respondem por outras fatias do silêncio. Há, ainda, quem acredite que os meios de comunicação possam propagar uma epidemia de mortes voluntárias.

Por tudo isso, “A ponte” é um filme ousado. Ousado e tenso. A montagem reflete a angústia de se saber que, cedo ou tarde, algumas daquelas dezenas de milhares de californianos e turistas vão pular. Sim, mas quais? Exceto por Gene Sprague, claramente identificado (a posteriori, é claro) como breve-mais-um suicida, e cuja vida de solidão e desamor serve como um eixo ao documentário, qualquer daquelas pessoas pode vir a pular.

Entretanto, a cena capital de “A ponte” não está em nenhum dos suicídios filmados mais ou menos de perto, nome e sobrenome, rostos quase se tornando visíveis pelas lentes potentes. Está numa tomada distante, no luscofusco do anoitecer, a Golden Gate na sua inteireza de cartão-postal. Subitamente, no canto esquerdo do quadro, algo pesado cai no mar, e escutamos o barulho nas águas. Banal assim. Nesse salto, nesse gesto, tanto quanto a infelicidade presente, assusta a total falta de esperança numa felicidade futura. É isso que torna o suicídio um tema tão delicado para aqueles que apenas apreciam a paisagem.

A Ponte

Perturbador. Acabo de assistir ao documentário A Ponte, sobre as dezenas de pessoas que todo ano põem um fim em suas vidas se jogando da ponte Golden Gate, em San Francisco, nos EUA.

É estranho presenciar os sentimentos de família e amigos de alguns dos suicidas, seja totalmente conformados, seja não aceitando a situação. É estranho também ver as razões que levaram essas pessoas a tal ato: problemas mentais, a sensação de que se é um perdedor, falta de perspectivas.

O mais triste é o fato de que o suicídio é um problema do suicida até o momento em que ele o comete. Mas depois que está feito, torna-se problema dos que ficam e tem que lidar com a ausência de seu ente querido.

É um filme difícil. Muito difícil. Mas creio que tem que ser assistido como forma de tentar entender o ser humano. Não aqueles que se jogam, mas os que têm que juntar os cacos.

Atolado

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Essa está sendo uma semana de muito trabalho no banco. Estou chegando bem cedo, e saindo bem tarde, e ainda me encontro atolado em atividades da faculdade (que, aparentemente, estou levando a sério). Além disso, chegaram algumas revistas que assinei no mês passado (Super, piauí, Nova Escola), e tem a minha leitura, digamos, oficial (a que aparece no topo da barra lateral direita).

Enfim, está difícil respirar. Mas no fim-de-semana devo voltar a postar mais regularmente (ou não).

GP da Europa - Ao Vivo VI

domingo, 24 de agosto de 2008

Massa vence a corrida, com Hamilton em segundo e Kubica em terceiro. O brasileiro tem 64 pontos na classificação, contra 70 do inglês e 57 de Raikkonen.

Ainda há muito o que remar em relação a Hamilton, mas pelo menos é possível que a Ferrari passe a privilegiá-lo em detrimento de Raikkonen.

GP da Europa - Ao Vivo V

Dessa vez foi o motor do Raikkonen que explodiu. Se sua corrida estava discreta, o final foi espalhafatoso: atropelou um mecânico e depois espalhou óleo e fumaça por toda a pista.

O motor do Massa precisa agüentar mais 11 voltas.

GP da Europa - Ao Vivo IV

Massa vai levando a corrida sem problemas, com quase 8 segundos de vantagem para Hamilton. Mas, como sabemos, a corrida só acaba quando termina.

Piquet está em 11º e Barrichelo em 17º.

GP da Europa - Abre parênteses

Deco acaba de marcar um belíssimo gol de falta pelo Chelsea contra o Wigan.

Dá-lhe Felipão!

GP da Europa - Ao Vivo III

Raikkonen anda tão discreto que o Massa fez um pit stop relativamente longo e ainda assim voltou na frente do finlandês.

Parece-me que o Kimi anda apostando na regularidade, ao passo que o Massa tenta as vitórias, sofrendo percalços que algumas vezes o tiram da corrida.

GP da Europa - Ao Vivo II

Massa vai abrindo vantagem em relação a Hamilton. Raikkonen vai fazendo sua tradicional corrida discreta.

Que bonita é a região onde se situal o circuito; parece Mônaco, só que com uma pista bem melhor.

GP da Europa - Ao Vivo

Graças às Olímpíadas (especialmente a final do vôlei feminino), ninguém reparou no treino da Fórmula 1, onde o Felipe Massa conquistou a pole. Depois da tragédia da corrida anterior, será que ele vai conseguir remar tudo de novo para tentar chegar à liderança do campeonato?

Saldo

Então é isso: foram 3 ouros, 4 pratas e 8 bronzes, que nos deram a 23ª posição no quadro de medalhas. Apesar de algumas refugadas, foi uma participação boa, com 15 medalhas no total, o máximo que já conseguimos, igualando o recorde de Atlanta-1996.

Parabéns às meninas do vôlei, que provaram que não são amarelonas, e à Maureen Maggi, que venceu uma quantidade enorme de dificuldades e agora é campeã olímpica. Parabéns, também, ao César Cielo, o único homem brasileiro a ter ganho ouro nessa olimpíada.

Alguns ouros que já contávamos como certos acabaram escapando, como do vôlei e do vôlei de praia masculinos, além do Diego Hypólito. Outros que eram perfeitamente conquistáveis também não vieram, como o futebol masculino e feminino, e dos campeões mundiais de judô. Mas em Londres haverá novas chances de conquistá-los.

Apesar dos pesares, foi bem bacana. Até daqui a quatro anos.

Dentro de campo

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Estou com o Mauro Cezar Pereira. De fato há muitos problemas estruturais no futebol feminino brasileiro, mas a derrota para as americanas não se deve a isso: nossas adversárias foram mais competentes, enquanto é muito difícil discernir um esquema tático que oriente o jogo das brasileiras. Poderíamos ter ganho, mas pecamos nas finalizações e na organização do jogo. É claro que existem problemas com a CBF, entre outros vilões, mas a derrota aconteceu dentro de campo, não fora dele.

Tabelas

Coloquei na barra lateral direita tabelas dos principais campeonatos europeus e também do incrível, impressionante, disputadíssimo, de excelente nível técnico, Brasileiraço. Achei as tabelas (e também outras coisas legais) nesse site.

27

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Todo ano eu repito: detesto fazer aniversário. Mas apesar disso, é bem legal o carinho recebido, seja com recados no orkut, seja com abraços no banco, seja com telefonemas dos familiares, seja com o amor de minha esposa e filhos.

Mais um ano que se foi, acho que não estou preparado para fazer um balanço dele, até porque não há muito o que "balancear". Mas creio que será bacana este meu 28º ano de vida, com minha faculdade, as crianças na escola no começo do ano que vem, e quem sabe alguns saltos profissionais.

E segue o jogo...

Vida de trabalhador

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O segundo jogo mais importante do ano (o primeiro foi esse) acontecerá em algumas horas e o que estarei fazendo quando Brasil e Argentina adentrarem o gramado de Pequim para decidir uma vaga na final do futebol olímpico masculino? Estarei trabalhando, é claro, atendendo um monte de gente ignorante e chata.

Bem, isso é a vida de um trabalhador.

Schmidt e Bandini

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Sobre Schmidt ficou para trás. Não achei ruim como o resenhista do iGLer fez crer que seria, mas o fato é que realmente pouca coisa acontece. Ainda assim é escrito de forma interessante, com a decisão do autor de privilegiar a parte psicológica de seus personagens em detrimento de descrições físicas.

Agora vou fazer algo que há anos não faço: uma releitura. Pergunte ao Pó, de John Fante, é um de meus livros favoritos. Dessa vez não vou lê-lo na reedição da José Olympio, mas na primeira versão em que foi lançado no país pela Editora Brasiliense, com a tradução do Paulo Leminski.

Presente de aniversário

Na sexta-feira, ao chegar em casa, fui surpreendido pelo meu primeiro - e, provavelmente, único - presente de aniversário: mais uma estante de metal para guardar livros. Já estava sem lugar para armazenar as novas aquisições da Biblioteca Mulatinho; agora posso voltar a passar horas organizando minha coleção, uma deliciosa tarefa.

Obrigado, amada Arlene.

Campista

domingo, 17 de agosto de 2008

Como sempre, Campos só aparece no noticiário das grandes cidades com fatos pitorescos. Veja o que saiu na coluna do Ancelmo Góis no Globo de hoje:

O que é isso???

sábado, 16 de agosto de 2008

Veja só que coisa horrível está estampada na capa do Globo de hoje:



Suponho que quem não mostrar a tal foto será sentenciado à pena de morte, afinal de contas a vida nas favelas é controlada por traficantes ditadores, que não tem o menor medo da polícia. O menor medo.

Bundesliga 2008-2009



Começou a Bundesliga 2008-2009. Na primeira partida, disputada ontem no Allianz Arena, o Bayern de Munique, muito desfalcado, abriu 2 a 0 no Hamburgo mas permitiu o empate dos hanseáticos. Ao contrário da temporada passada, quando disputava a Copa da UEFA mas tinha como objetivo maior retomar a supremacia em seu território, nesta o Bayern disputará a Liga dos Campeões (eu diria, inclusive, que é um dos favoritos ao título), o que pode dar chance aos outros grandes (Schalke 04, Werder Bremen, Stuttgart e o próprio Hamburgo) de beliscar o título alemão.

Brasil x Camarões - Ao Vivo V

Acabou. O fantasma africano foi exorcizado. Agora é esperar Argentina ou Holanda para as semi-finais; aliás, se vierem os argentinos, atuais campeões olímpicos, com Messi e Riquelme, será um belíssimo jogo, e creio que temos, sim, condições de passar por eles.

Brasil x Camarões - Ao Vivo IV

Fim do 1º tempo da prorrogação e o azar parece ter acabado: o Brasil vai vencendo por 2 a 0, gols de Rafael Sóbis e Marcelo. O PVC está coberto de razão: Thiago Neves não pode ficar de fora do time.

Brasil x Camarões - Ao Vivo III

2º tempo rolando e nada de novo no ar. Brasil continua sem criatividade, não levando perigo. Camarões está com o mesmo problema, o que mostra que o jogo está meio ruim. (Enquanto digitava isso, o Brasil enfim chegou, com Ânderson batendo da meia lua, nas mãos do goleiro).

Brasil x Camarões - Ao Vivo II

Até o momento, 38 do primeiro tempo, raras emoções. Ronaldinho e Diego andam sumidos, e com a omissão deles o Brasil não cria nada. Vamos ver se o Dunga fará mudanças para o 2º tempo.

Campeão olímpico




Enfim uma grande alegria nestes Jogos Olímpicos: Temos um campeão olímpico na natação; César Cielo venceu os 50m livres, com direito a recorde olímpico. Muito legal.

Brasil x Camarões - Ao Vivo

Está começando o jogo entre Brasil e Camarões, válido pelas quartas-de-final das Olimpíadas de Pequim. Esse confronto também aconteceu nas Olimpíadas de Sidney, em 2000, e eu estava lá, acordado, tentando exorcizar o fantasma das Olimpíadas de Atlanta em 1996 (quando perdemos para a Nigéria). Na ocasião de 2000, o trauma foi maior ainda, pois perdemos na morte súbita para um time com 9 jogadores (inclusive o Ronaldinho estava em campo, sendo o autor do gol brasileiro).

"I guess I'm just lazy"

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Segue um clipe bem bacana: The Importance of Being Idle, do Oasis. Abaixo vai a letra.



THE IMPORTANCE OF BEING IDLE


I sold my soul for the second time
'Cause the man He don't pay me
I begged my landlord for some more time
He said "Son, the bills are waiting"

My best friend called me the other night
He said "Man - are you crazy"
My girlfriend told me to get a life
She said "Boy - you're lazy"

But I don't mind
As long as there's a bed beneath the stars that shine
I'll be fine, if you give me a minute, a man's got a limit
I can't get a life if my heart's not in it
Hey Hey

I lost my faith in the summer time
'Cause it don't stop raining
The sky all day is as black as night
But I'm not complaining

I begged my doctor for one more line
He said "Son - words fail me"
It ain't no place to be killing time
I guess I'm just lazy

But I don't mind
As long as there's a bed beneath the stars that shine
I'll be fine, if you give me a minute, a man's got a limit
I can't get a life if my heart's not in it
Hey Hey

Games, matemática, livros e filme

Após alguns vícios que duraram alguns dias cada (Mario Kart Wii e um revival de Football Manager), estou de volta aos estudos matemáticos. É legal esse lance de estudo a distância, especialmente para uma pessoa tímida como eu, mas de vez em quando aparece aquela dúvida persistente e não há ninguém para questionar.

A Sangue Frio foi um grande livro, extremamente meticuloso relato de um bárbaro crime. Comecei agora Sobre Schmidt, livro que supostamente inspirou o filme As Confissões de Schmidt; digo supostamente porque há um anúncio na capa alardeando esse fato, mas a leitura das 30 primeiras páginas deixa claro que, apesar dos personagens em comum, a história é completamente diferente.

Desfilando

domingo, 10 de agosto de 2008

Estou meio sem ânimo para escrever, então vou citar outro blog: no superlegal Jin Pai, da revista Época, André Fontenelle fala sobre a cerimônia de abertura das Olimpíadas. Vou colocar o último parágrafo aqui, dêem uma passada lá e leiam o texto todo:

Das quatro horas de cerimônia, o maldito desfile ocupa duas. Afinal, hoje são 205 países nos Jogos Olímpicos. Aliás, 204, pois, segundo nos informa o Comitê Organizador, Brunei Darussalam desistiu na última hora de enviar um atleta. Isso reduziu provavelmente em um minuto a duração do desfile das delegações. Obrigado, Brunei.

A Sangue Frio

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Está no lendário das colunas sociais: Truman Capote, Gore Vidal e Norman Mailer, em sarau literário, discutiam livros. Cada qual, evidentemente, falando de seus próprios livros. Capote, o mais baixinho e fisicamente frágil dos três, assim como de longe o mais venenoso, virou-se e disse (Capote era uma das poucas pessoas do mundo capazes de "virar-se" e dizer uma coisa): "Tudo isso que vocês estão dizendo pode ser muito interessante, mas a verdade é que eu escrevi uma obra-prima, e vocês não".

Não é que o baixinho estava com toda a razão? O danado escreveu mesmo uma obra-prima. Sim, claro, estamos falando, como Capote, de A Sangue Frio.


Dois primeiros parágrafos do delicioso prefácio escrito por Ivan Lessa para a reedição de A Sangue Frio, minha leitura atual. Estou adorando, um texto extremamente meticuloso e com uma história muito boa prá contar - história real, diga-se de passagem.

Mais do mago

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Nova aquisição para a Biblioteca Mulatinho:

- O Vencedor Está Só. O novo do Paulo Coelho, que, como já disse algumas vezes, leio mais como um ato protocolar do que como degustação literária, ainda que a leitura dos dois livros sobre ele tenha feito-me ter vontade de reavaliá-lo.

Além desse, também comprei reedições de três antigos sucesso do mago: O Alquimista, Brida e O Manual do Guerreiro da Luz (sendo que comprei esse sem querer, o objetivo era comprar O Diário de um Mago). Tive que comprá-los porque minhas edições antigas deles estavam uma lástima (exceto o Manual, que nunca tive).

Robinho

domingo, 3 de agosto de 2008

O PVC informa em seu blog que Felipão afirmou à direção do Chelsea que o único jogador que falta ao time é o Robinho. Sua idéia é ter a seguinte formação titular: Cech, Bosingwa, Ricardo Carvalho, Terry e Ashley Cole; Mikel, Essien, Deco e Lampard; Robinho e Drogba.

Robinho é um jogador que desperta amor e ódio entre os comentaristas de futebol. Numa hora ele é um deus, legítimo representante da alegria do futebol brasileiro, em outro momento é apenas mais um firuleiro com delírios de grandeza. Prefiro manter meu conceito sobre ele no meio termo entre esses dois extremos, mas se o Felipão enxergou nele um jogador para ser titular de seu ataque, significa que ele tem potencial para ser muito mais do que é atualmente.

GP da Hungria - Ao Vivo VII

Cléber Machado não tem os conhecimentos automobilísticos que Galvão Bueno tem, mas pelo menos percebe-se que ele se sente como parte de uma equipe, e não como a estrela do espetáculo. Notei isso quando, na hora da bandeirada, a repórter chamou para tentar falar com o Massa e ele, Cléber, interrompeu sua narração da primeira vitória do finlandês Kovalainen, para deixá-la falar. Galvão teria pedido "um momento, Mariana" a ela, e esse momento demoraria meio minuto.

Quanto à corrida, Kovalainen é mais um finlandês a vencer na Fórmula-1 (além de Raikkonen, também tivemos nesses últimos anos o Mika Hakkinen, além de uma quase vitória do Mika Salo quando ele estava substituindo Michael Schumacher, que tinha quebrado a perna - nessa, ele teve que dar a primeira posição para o Eddie Irvine, que naquele momento disputava o título). Massa, com seu abandono, é apenas o terceiro no campeonato, tendo sido ultrapassado pelo Raikkonen, que chegou em terceiro (Timo Glock, estreando no pódio, foi o segundo). O brasileiro tem agora 54 pontos, contra 57 do finlandês e 62 do Hamilton (que, com problemas no pneu e tudo, chegou em quintoo).

GP da Hungria - Ao Vivo VI

Estoura o motor do Massa. Esqueçam todas as projeções de liderança do campeonato, toda a sorte do Massa foi embora junto com esse motor.

Mais uma vez recitemos o clichê: "só acaba quando termina".

GP da Hungria - Ao Vivo V

Cléber Machado deve ser um psicólogo frustrado: para ele tudo "mexe com a cabeça do piloto", quem é ultrapassado, quem ultrapassa, quem vai pro pit-stop, quem recebe um recado pelo rádio etc.

GP da Hungria - Ao Vivo IV

Hamilton tem um pneu furado. Tudo favorável ao Massa, que voltará à liderança do campeonato.

GP da Hungria - Ao Vivo III

Reginaldo Leme começa a falar em uma possível priorização do Massa pela Ferrari daqui prá frente. Queria ver se fosse o contrário, com o Raikkonen com a preferência, provavelmente estariam falando sobre a injustiça que seria, sobre o jogo sujo da Ferrari.

Enquanto isso, após a primeira rodada de pit-stops, Massa segue na liderança.

GP da Hungria - Ao Vivo II

Apesar de ter o Massa na liderança, e isso deixar o público brasileiro bem animado, a verdade é que a corrida húngara segue seu tradiciona script: carros longe uns dos outros, ou mesmo carros perto uns dos outros, mas nenhuma ultrapassagem, nem mesmo uma tentativa.

GP da Hungria - Ao Vivo

Massa ultrapassa os dois McLaren na largada e lidera a corrida. Foi uma bela manobra; já que o carro não está ajudando, vai no braço mesmo.

GP da Hungria - Pós-classificação

sábado, 2 de agosto de 2008

O GP da Hungria costuma ser uma procissão, com raríssimas ultrapassagens e nenhuma emoção (exceto quando chove, mas quase nunca chove). Sendo assim, a 1ª fila da McLaren é quase certeza de vitória do Lewis Hamilton, o que deixará o Massa bem prá trás na classificação. Chegou um momento na temporada em que tudo levava a crer que a Ferrari iria faturar com facilidade o campeonato; só que a McLaren evoluiu bastante enquanto a escuderia italiana ficou montada na (pouca) vantagem conseguida nas primeiras corridas. Se não houver avanços urgentes, os ferraristas logo poderão voltar à velha prancha de desenhos e planejar a próxima temporada.

Quero descer!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Que mundo é esse em que vivemos? Vejam só essas duas notinhas que estão na coluna do Ancelmo Góis de hoje:

Cai o PIB da morte

A redução do número de mortos e feridos em acidentes de trânsito por causa da Lei Seca tem provocado prejuízos em vários setores. Um vendedor do Shopping Médico, no Rio, diz que a venda de muletas caiu de umas 20 para só três por mês. Ah, bom!

Como se sabe...

O Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite lamentou que a Lei Seca tenha reduzido a ofertas de órgãos para transplantes, e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes luta na Justiça contra a proibição. Meu Deus...