Cavaleiro das Trevas

domingo, 20 de julho de 2008

Na sexta-feira fui assistir ao Batman - O Cavaleiro das Trevas. Um filme muito bom, com uma edição rapidíssima e um climax atrás do outro. Mas é claro que o ponto mais alto é o Coringa, do Heath Ledger. Uma atuação prá lá de perturbadora, apesar de aparecer pouco. Fica a pergunta: se Heath Ledger não tivesse tragicamente morrido no início deste ano o mundo estaria tão assombrado com sua performance? Não sei, esta é uma questão de difícil resposta.

Aliás, o filme em poucos dias desbancou O Poderoso Chefão e Um Sonho de Liberdade do posto de nº 1 do Top 250 do IMDb, o maior site de referência sobre cinema. Desde que freqüento este site - deve ter uns 8 anos - esses dois sempre foram os líderes do ranking.

Segue abaixo a crítica (pequenininha) escrita por Rodrigo Fonseca para o caderno Rio Show do Globo (publico aqui porque ridiculamente este caderno não sai na edição do Globo que chega em Campos):

‘Batman — O Cavaleiro das Trevas’. É difícil saber se o Coringa votaria em Barack Obama. Mas conservador como a aristocracia de Gotham, potencial eleitora de John McCain, ele não é. Por isso, neste ano de eleição presidencial nos EUA, em que os americanos se dividem entre a opção democrata e a manutenção do poder republicano, cada risada do vilão talha “The Dark Knight” (no original) como alegoria política.

Aliás, a alegoria mais perturbadora de 2008, à altura de um filme de Costa-Gavras. O novo “Batman” tem a secura do cinema policial dos anos 70, evocando cults como “Serpico”, de Sidney Lumet. O filme expõe o risco que a anarquia, encarnada no Coringa, traz ao Leviatã decadente que Gotham virou, refém de tradições. A chegada de um inimigo cuja ambição é o caos causa uma instabilidade moral que os EUA só sentiram no 11 de Setembro de 2001, à mercê do medo. E que medo o Coringa Heath Ledger (1979-2008) gera. Sua atuação, na veia do sadismo, é memorável. Só o Comissário Gordon de Gary Oldman instiga tanto.

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