Ótima leitura

sábado, 5 de abril de 2008

Enfim terminei a leitura da biografia do Woody Allen. Adorei-a. O exemplar que está em minhas mãos pertence à biblioteca da Caixa e, claro, vou ter que devolvê-lo. Mas creio que acabarei adquirindo um para colocar na estante como uma obra de referência e consultá-lo sempre que quiser. Pena que o livro só cubra o período da vida e obra dele que se encerra em 1990; seria ótimo saber mais sobre suas realizações dos últimos 18 anos. Segue mais um trecho, lá do finalzinho (reitero que a tradução é de Giovanni Mafra e Silva):

O fato de nunca ficar completamente satisfeito com um filme não significa que não tenha motivos para ficar, apesar das exigências que faz a si próprio. Sua “maior emoção seria fazer um filme em que, ao terminá-lo, pudesse dizer: ‘este filme equipara-se ao melhor de Buñuel, de Bergman e de Kurosawa’. Isso me daria uma reconfortante sensação. Até agora nem sequer me aproximei. Acho que fiz alguns filmes decentes e muitos outros divertidos, mas nunca fiz um grande filme. Um grande filme para mim é A grande ilusão [La grande illusion] [de Jean Renoir], Cidadão Kane, Ladrão de bicicletas, ou Quando as mulheres pecam. Woody acha que A rosa púrpura do Cairo é o melhor de seus filmes, e que Zelig é uma de suas melhores tentativas. Sempre teve muita fé em Memórias, um filme muito impopular. Também gosta de Noivo neurótico, noiva nervosa, Manhattan e Hannah e suas irmãs, sua trilogia nova-iorquina de comédias românticas. Estes seis filmes, diz ele, e A era do rádio, são seus melhores, e sua realização lhe dá alguma esperança para trabalhos ainda melhores no futuro. Reconhece que são decentes. Simplesmente não são suficientemente bons para satisfazer sua ambição.

“Não são filmes classe A”, diz, “são classe B, embora não se refira à maneira que normalmente se fala de filmes classe B, como produções de segunda classe; são todos filmes sólidos, funcionam nos termos a que se propuseram e, em alguns deles, há inspiração. Porém não realizei um Morangos Silvestres ou um A grande ilusão. Vou tentar chegar lá antes do fim da vida. Terei ocasião de fazer um ou dois filmes que serão considerados grandes sob qualquer aspecto: você verá os presunçosos falando na TV, dizendo que é o máximo; até mesmo os piores críticos o acharão um grande filme e o público também. Elevaria todo o conjunto de obras que já realizei. Qualquer artista – Fellini, Bergman – encontra-se na mesma situação. Fizeram um grande número de filmes. Nem sempre fazer Amarcord ou Gritos e sussurros. Alguns são verdadeiramente grandes, como O sétimo selo, outros acima da média, como Luz de inverno, e o resto é apenas correto. Contudo, o conjunto de suas obras é elevado por essas pequenas estrelas brilhantes. O que falta no conjunto de meus filmes são esses pequenos brilhos de luz. Talvez agora, que passei dos cinqüenta anos, esteja mais vonfiante, e possa produzir algo que seja verdadeiramente literário.”

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