Final inglesa

quarta-feira, 30 de abril de 2008




Manchester United e Chelsea farão a final da Liga dos Campeões. Isso apenas reforça minha impressão de que o melhor campeonato europeu é o inglês, não apenas por causa dos estádios bonitos e sempre cheios, mas por causa do ótimo nível, não só entre os grandes, mas também com alguns bons times médios.

A classificação do Chelsea me supreende pois sempre coloquei o clube entre meus favoritos para conquistar o título quando era treinado por José Mourinho e ele nunca chegou lá. Agora que o português se foi e eu não dava muita coisa pelo time, lá vai ele disputar a final da competição.

O Manchester United chega com um leve favoritismo, por estar, nessa temporada, jogando o melhor futebol do mundo, e por ter o melhor jogador do mundo, Cristano Ronaldo, que tem sido bem coadjuvado por Tevez. Mas não pode vacilar pois o Chelsea tem bons valores, especialmente Drogba, Lampard e Cech.

Meu palpite: Manchester vence por um gol de diferença, e esse gol vai ser marcado por Cristiano Ronaldo após uma bela jogada individual. No final do ano, ele será eleito o mlehor jogador do mundo pela Fifa.

Álbum Branco - 40 Anos

Algum tempo atrás andei dando umas palavrinhas sobre Beatles, então vou dar uma dica para a leitura de alguém que entende muito mais do assunto do que eu (que, na verdade, não entendo quase nada). O Jamari França, do Globo, escreveu uma série de 4 posts sobre os 40 anos do Álbum Branco, comentando música por música. Abaixo estão os links:

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4

Estudando

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Neste momento estou em meu horário de almoço aqui no banco, estudando para o concurso do TRT/RJ. É muita matéria, e seria bem melhor se eu já estivesse estudando a mais tempo (até mesmo antes da publicação do edital), mas estou empolgado e pretendo dar o meu melhor, abrindo mão, inclusive, de algumas atividade que me são caras, como a literatura.

Torcer contra

domingo, 27 de abril de 2008

O que me restou em termos de futebol é torcer contra o Flamengo. O gol do melhor-que-o-Eto'o abriu uma vantagem interessante para o 2º jogo, mas o Fogo pode aproveitar-se de um eventual desgaste da viagem rubro-negra ao México para enfrentar o América pela Libertadores e ter melhor sorte.

Tradução

Li em uma newsletter do Publishnews que a classe dos tradutores literários anda sofrendo com uma editora que plagiou algumas traduções, alterando o nome do autor da mesma.

Essa situação ruim levou-me a pensar a respeito dessa profissão: ela me agrada. Acharia bem legal seguí-la, apesar de eu não ter 100% de confiança em meu inglês (muitas vezes tenho dificuldades para entender o inglês falado, especialmente se for pronunciado em alta velocidade; quanto ao escrito, creio que consigo me sair bem melhor, só não sou capaz de produzir aquelas notas de rodapé, explicando, por exemplo, a origem de algumas expressões).

Eis aqui um blog no qual estou dando uma olhada: Tradutor Profissional.

Final em jogo único

Em casos como o do Estadual do Rio de Janeiro - em que, não importando quais sejam os finalistas, os jogos decisivo serão sempre disputados no Maracanã -, não seria mais interessante se a final fosse em apenas um jogo. Esse modelo de dois jogos tira muito a graça do primeiro, as equipes ficam muito retraídas, joga-se mais para não sofrer gols do que para fazê-los.

Para a televisão é mais interessante que haja dois jogos, afinal há mais oportunidades de exibir as marcas de seus patrocinadores, mas pensem na emoção do jogo único: tudo tem que ser decidido ali, não há segunda chance, agora ou nunca. Lembrei-me da Liga dos Campeões da UEFA, que adota esse sistema em sua decisão, e costuma ser bem legal (exceto naquele 0 a 0 horroroso entre Milan e Juventus na final de 2003).

Louca Obsessão

Louca Obsessão, filme de Rob Reiner, baseado no romace Angústia de Stephen King - Que filme horroroso!

Paul Sheldon é um escritor de sucesso, autor de uma série de livros sobre uma heroína do século XIX, Misery Chastaine, que acaba de colocar um ponto final a esta série, lançando um livro em que a personagem morre no final. Ao isolar-se em uma montanha do Colorado para escrever um romance que julga que será uma mudança radical em seu estilo literário, ele sofre um acidente de carro por causa de uma tempestade de neve e é resgatado por Annie Wilkes. Ela revela ser sua "fã número 1", absolutamente fanática por Misery, e o hospeda em sua casa enquanto ele se recupera dos ferimentos do acidente (por causa da neve tornara-se imposssível transefí-lo para um hospital). Pouco depois, enquanto ele ainda estava lá, ela compra o novo livro na cidade e descobre a morte de Misery. Daí, então, o pesadelo começa: Annie obriga Paul a escrever um livro em que Misery volte à vida, caso contrário o matará.

É nesse ponto que o filme começa a se distanciar do livro (que, se não é um dos melhores de King, ao menos é um história de muita qualidade): enquanto este se debruça sobre o processo de Paul para escrever o novo livro, o filme tenta fazer um suspensezinho idiota, com caras e bocas do casal de protagonistas. O andamento do novo romace quase não é mencionado no filme, enquanto que o livro parece existir unicamente para mostrar isso, um escritor construindo uma história original, tornando plausível algo em que, primeiramente, pensaríamos como absurdo.

Ao escolher o caminho do suspense, o filme se banaliza; enquanto que a escolha do livro o fortalece. É claro que o livro também tem suspense, mas está concentrado mais no final, o qual é muito mais bem resolvido que o do filme.

6 anos

Hoje completa-se 6 anos do dia em que conheci minha amada amante Arlene. Nesse meio tempo, fomos morar juntos, ela adquiriu meu famoso sobrenome, mudamos de casa, tivemos nossos dois moleques e fomos felizes em cada segundo. E continuaremos felizes pelo resto de nossas vidas (que serão bem longas).

Meu amor, cada momento de minha vida é dedicado a você e à família que me deste.

Toni

Luca Toni marcou 8 gols nos últimos 4 jogos de que participou (esteve ausente na primeira partida das semifinais da Copa da Uefa, quando o Bayern de Munique empatou, em casa, com o Zenit São Petersburgo), foram 2 em cada jogo. Com nove minutos do jogo de hoje contra o Stuttgart, já fez 1. É difícil achar um jogador que tenha uma média de gols tão avassaladora como essa.

GP da Espanha - Ao Vivo VII

Vitória de Raikkonen, com Massa em segundo. O finlandês abre 11 pontos de vantagem para o brasileiro. Apesar do brilhareco da McLaren na primeira corrida da temporada, parece que os prognósticos da pré-temporada estavam corretos: a Ferrari vai dominar a temporada e o campeão será decidido entre seus dois pilotos, com vantagem para Raikkonen.

GP da Espanha - Ao Vivo VI

A segunda rodada de pit-stops se foi e Raikkonen matém-se à frente do Massa (nesse momento a diferença é de 2 segundos). Está escrito que este será o resultado dessa prova chata, de raras ultrapassagens.

Kovalainen vai sendo levado de helicóptero para um hospital. Aparentemente sem maiores problemas.

GP da Espanha - Ao Vivo V

Rubinho fora. A temporada da Honda, que, dizia-se, tinha tudo para ser bem melhor que o fiasco do ano passado, parece que vai ser a mesma droga.

GP da Espanha - Ao Vivo IV

Só agora (mais de 10 minutos depois) a corrida vai ser reiniciada. As informações dão conta de que não houve maiores problemas com o Kovalainen.

Após a primeira rodada de pit-stops, Raikkonen e Massa mantiveram suas posições. Tudo leva a crer que será assim até o final da corrida.

GP da Espanha - Ao Vivo III

Sinistro: algo quebrou no carro do Kovalainen durante uma curva, e ele foi parar embaixo do muro de pneus. Momentos de comoção entre os fiscais, que tentam retirar o carro mas não conseguem. Safety car e carro médico (medical car?) na pista.

GP da Espanha - Ao Vivo II

Nova polêmica de Galvão Bueno: o certo é "safety car" ou "carro de segurança"?

Fico com safety car, forma consagrada pelo uso contínuo ao longo dos anos. Até porque se for traduzir um, tem que traduzir tudo: pit stop, pit lane, pole position, drive through...

GP da Espanha - Ao Vivo

Bem amigos de o roto falando do esfarrapado, falamos com imagens ao vivo de minha televisão, onde Galvão Bueno, Reginaldo Leme e Luciano Burti estão trazendo o Grande Prêmio da Espanha de Fórmula-1.

Neste momento, Raikkonen lidera a corrida, com Massa em segundo. Piquet acaba de abandonar, graças a um choque com Bourdais.

Devo admitir que as coisas andam meio tediosas.

O Sonho de Cassandra

sábado, 26 de abril de 2008

O Sonho de Cassandra, filme mais recente do Woody Allen - história que guarda algumas semelhanças com Match Point, por tratar do tema da tentativa de ascenção social. Colin Farrel e Ewan McGregor são dois irmãos que se vêem em situações em que precisam desesperadamente de dinheiro - seja por dívidas de jogo, seja para estar à altura das mentiras contadas para conquistar uma namorada. Ao pedir ajuda financeira a um tio rico, acabam envolvendo-se em um crime a fim de conseguir o dinheiro de que tanto precisam. A culpa, então, acaba consumindo um dos dois, e as conseqüências serão enormes.

Apesar de uma ligeira semelhança com o excelente Match Point em relação à trama, não se pode dizer o mesmo quanto à realização: é um filme mais rasteiro, parece ter sido filmado menos cuidadosamente, até mesmo com pressa. Ainda assim é um exemplar de Woody Alle, com alguns bons momentos, além de confirmar que o diretor realmente está renovando os temas de suas filmografia, o que é uma boa notícia.

Defense!

Estou assistindo a um jogo dos playoffs da NBA (Atlanta Hawks x Boston Celtics). Será que essa torcida dos ginásios de lá não se cansa de ficar gritando "De-fense! De-fense!" toda vez que sua equipe está sendo atacada? Será que é totalmente impossível criar algo novo? Será que os jogadores sentem-se incentivados ao ouvir o mesmo grito jogo após jogo?

Avassalador

Acabo de concluir a leitura da monumental biografia do Bob Dylan. Estou sem palavras, não há o que dizer sobre esse artista que passou por tantas fases, caiu e levantou tantas vezes, passou por tantos problemas, e segue em frente com sua música.

Recomendo fortemente a todos a leitura.

E agora vou começar a estudar para o concurso.

Acabou a moleza

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Fim do feriadaço. Foram 5 dias (com uma pausa na terça-feira) para ficar com as crianças, ver muita TV, ler bastante (descobri que só conseguirei concentrar-me totalmente a fim de estudar para o concurso quando terminar a biografia do Dylan), dar umas beijocas na patroa.

Retorno, então, à minha vida de reclamações com a barriga cheia.

How many times?

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Essa recente visita do Bob Dylan ao Brasil trouxe um debate interessante: um artista é obrigado a tocar o que o público quer ouvir? Um artista é obrigado a passar uma carreira de décadas cantando seus maiores sucessos do mesmo jeito que os cantou nos discos de 40 anos atrás?

Eis aí uma amostra de como as coisas mudam (se para melhor ou para pior, cada um tem seu julgamento): seguem dois vídeos de Bob Dylan cantando a mesma música (It´s Alright Ma, I'm Only Bleeding), o primeiro é dos anos 60 e o segundo é de 2007. Nem parece tratar-se da mesma canção (até porque, com o tempo, ficou mais difícil distinguir as palavras através de sua voz fanhosa). A primeira tem a vantagem de ser quase igual à versão que foi imortalizada no disco Bringing It All Back Home, ao passo que a segunda é mais suingada, usando os recursos de uma boa banda. Depois dos vídeos posto a estupenda letra da música.





It´s Alright Ma, I'm Only Bleeding

Darkness at the break of noon
Shadows even the silver spoon
The handmade blade, the child's balloon
Eclipses both the sun and moon
To understand you know too soon
There is no sense in trying.

Pointed threats, they bluff with scorn
Suicide remarks are torn
From the fool's gold mouthpiece
The hollow horn plays wasted words
Proves to warn
That he not busy being born
Is busy dying.

Temptation's page flies out the door
You follow, find yourself at war
Watch waterfalls of pity roar
You feel to moan but unlike before
You discover
That you'd just be
One more person crying.

So don't fear if you hear
A foreign sound to your ear
It's alright, Ma, I'm only sighing.

As some warn victory, some downfall
Private reasons great or small
Can be seen in the eyes of those that call
To make all that should be killed to crawl
While others say don't hate nothing at all
Except hatred.

Disillusioned words like bullets bark
As human gods aim for their mark
Made everything from toy guns that spark
To flesh-colored Christs that glow in the dark
It's easy to see without looking too far
That not much
Is really sacred.

While preachers preach of evil fates
Teachers teach that knowledge waits
Can lead to hundred-dollar plates
Goodness hides behind its gates
But even the president of the United States
Sometimes must have
To stand naked.

An' though the rules of the road have been lodged
It's only people's games that you got to dodge
And it's alright, Ma, I can make it.

Advertising signs that con you
Into thinking you're the one
That can do what's never been done
That can win what's never been won
Meantime life outside goes on
All around you.

You lose yourself, you reappear
You suddenly find you got nothing to fear
Alone you stand with nobody near
When a trembling distant voice, unclear
Startles your sleeping ears to hear
That somebody thinks
They really found you.

A question in your nerves is lit
Yet you know there is no answer fit to satisfy
Insure you not to quit
To keep it in your mind and not fergit
That it is not he or she or them or it
That you belong to.

Although the masters make the rules
For the wise men and the fools
I got nothing, Ma, to live up to.

For them that must obey authority
That they do not respect in any degree
Who despise their jobs, their destinies
Speak jealously of them that are free
Cultivate their flowers to be
Nothing more than something
They invest in.

While some on principles baptized
To strict party platform ties
Social clubs in drag disguise
Outsiders they can freely criticize
Tell nothing except who to idolize
And then say God bless him.

While one who sings with his tongue on fire
Gargles in the rat race choir
Bent out of shape from society's pliers
Cares not to come up any higher
But rather get you down in the hole
That he's in.

But I mean no harm nor put fault
On anyone that lives in a vault
But it's alright, Ma, if I can't please him.

Old lady judges watch people in pairs
Limited in sex, they dare
To push fake morals, insult and stare
While money doesn't talk, it swears
Obscenity, who really cares
Propaganda, all is phony.

While them that defend what they cannot see
With a killer's pride, security
It blows the minds most bitterly
For them that think death's honesty
Won't fall upon them naturally
Life sometimes
Must get lonely.

My eyes collide head-on with stuffed graveyards
False gods, I scuff
At pettiness which plays so rough
Walk upside-down inside handcuffs
Kick my legs to crash it off
Say okay, I have had enough
What else can you show me?

And if my thought-dreams could be seen
They'd probably put my head in a guillotine
But it's alright, Ma, it's life, and life only.

Cheiro

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Acabo de assistir a O Cheiro do Ralo. É difícil avaliá-lo: trata-se de um filme muito estranho (assim como foi estranho o livro em que é baseado - livro este que li no ano passado), com grandes momentos e também momentos muito confusos. Ótima atuação de Selton Mello e também bela presença da Bunda (não entendeu? Vá ver o filme).

Windsor

O distinto leitor sabe dar um nó Windsor? Nem eu, apesar de dezenas de tentativas. Posto aqui abaixo um vídeo que supostamente facilita as coisas (já que olhando os vários diagramas espalhados por aí eu nunca entendo como se faz), mas não é nada garantido: até agora não consegui executar sequer um.


How To Tie A Tie - Full Windsor Knot

Match Point

sábado, 19 de abril de 2008

O homem que disse "prefiro ter sorte a ser bom" entendeu muito do significado da vida. As pessoas temem ver como grande parte da vida depende da sorte. É assustador pensar que grande parte dela foge do nosso controle. Há momentos em uma partida de tênis em que a bola bate no topo da rede e por um segundo pode ir para frente ou para trás. Com sorte, ela vai para frente e você ganha. Ou talvez não e você perde.

O parágrafo acima abre o filme Match Point, de Woody Allen. Se seus filmes no século XXI vinham sendo muito bobinhos, este, de 2005, é exatamente o oposto: sério, denso, genial.

Jonayhan Rhys Meyers interpreta Chris Wilton, um tenista que abandona o circuito e passa a dar aulas do esporte em um clube de ricos. Um de seus alunos faz amizade com ele e o apresenta à sua família. Chris logo se envolve com a irmã de seu amigo e começa a viver uma ascenção social. Para manter esse seu novo padrão de vida ele será capaz de coisas terríveis.

Muito boa a atuação de Meyers, capaz de mostrar o desconforto e a inadequação que seu personagem sente em relação a seu novo status social (mas apesar de sentir-se desta forma, ele prefere não abrir mão de sua nova vida - eis a ironia). Boa também a performance de Scarlett Johansson, como a mulher por quem Chris se apaixona e que ameaça sua estabilidade social.

Talvez este seja o melhor filme da carreira de Allen, o que não é pouca coisa.

Achei no YouTube um vídeo com a sequência inicial, em que Meyers pronuncia o discurso que transcrevi no início deste post:

House

House voltou. Acabo de assistir ao primeiro episódio inédito dele que o Universal mostra em 3 meses. Excelente. É impossível não gostar dele, com sua arrogância, mau-humor e genialidade. Uma pena que só serão exibidos mais 2 inéditos, além do que já foi ao ar. Culpa da greve dos roteiristas.

Por que tão sério?

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Feriadão chegando, as crianças vão quebrar a casa. Provavelmente não vai dar prá estudar nada, mas para ficar com eles vale a pena.

Como estou assistindo Batman Begins, segue aí o trailer do Batman - The Dark Knight (com a atuação que tem tudo para se tornar lendária - o falecido Heath Ledger como o Coringa).

Yoñlu

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Leitura pesada, mas necessária: a reportagem Suicídio.com da Época, falando sobre o jovem Yoñlu, que passou por uma espécie de suicídio assistido pela internet.

Há muitos anos atrás falei sobre suicídio aqui, mas não sei se minha postura permanece a mesma. O que eu sei é que se antigamente suicídio era um pensamento que de vez em quando passava pela minha mente, hoje em dia não tenho motivos para nem sequer refletir a respeito dele.

É muito doloroso pensar sobre a vida desse garoto, sobre a carta de despedida. Muito doloroso.

Em que estou pisando?

Às 2 horas da madrugada de hoje faltou luz. Eu não consigo dormir sem algum som (seja o ar-condicionado ou o ventilador), sendo assim resolvi levantar e beber um pouco de água. Ao pisar no chão, um segundo de confusão, logo depois a compreensão: minha casa estava inteiramente alagada. Todos os cômodos com uns 3 dedos d'água. Terrível. A chuva desta noite causou algo que nunca havia acontecido em pouco mais de 4 anos e meio que moro aqui. Os fantasmas da enchente vieram assombrar-me, mas eu sabia que o rio não poderia ter transbordado - dou sempre uma olhada em seu nível quando passo perto da ponte nova, e ele tem estado relativamente baixo, e não tem chovido com muita intensidade. O que houve foi que por volta de meia-noite começou a cair uma chuva tão forte que parece ter se tratado de um furacão; quando, alguns minutos atrás, levei as crianças para a casa da avó, vi várias árvores caídas, vários lugares intransitáveis pela quantidade de água acumulada. Ainda estou sob o efeito do susto e a primeira coisa que me vem à cabeça é que preciso me mudar, mas, assim como não consegui na época da enchente, sei que também não conseguirei agora. Sendo assim, infelizmente terei que conviver com situações como essa e tentar esquecê-las assim que seus efeitos não sejam mais diretamente sentidos.

Nalgum lugar

terça-feira, 15 de abril de 2008

Vejam só que engraçado: o poema de e. e. cummings, de onde tirei o verso do post anterior, é citado em Hannah e suas irmãs, filme ao qual assisti entre ontem e hoje; eu lembrei que esse mesmo poema foi tranformado em canção pelo Zeca Baleiro e fui conferir no encarte do CD (Líricas) o que ele, Zeca, falava a respeito. O que ele diz é que viu o poema no mesmo filme e não conseguiu tirá-lo da cabeça durante muito tempo, até que conseguiu um livro de cummings e teve a idéia de musicá-lo.

Aí vai o poema (a tradução é de Haroldo de Campos):

nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente)a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas

Mãos tão pequenas

"Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas"

Algum leitor consegue me explicar o significado dessa frase, que é um trecho de um poema de e. e. cummings?

Hannah

Acabo de assistir Hannah e suas irmãs, do Woody Allen. Que filme agradável, que história bacana. Muito legal mesmo essa idéia de que procuramos tanto a felicidade que muitas vezes não percebemos que ela está ao nosso lado, tentamos com tanto afinco compreender o sentido da vida que acabamos nos esquecendo de vivê-la.

Belo filme.

Não estive lá

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Bob Dylan performing in Cardiff, Wales in 2006Image via WikipediaBob Dylan anda onipresente em minha vida: assisti ao filme, estou lendo o livro, houve o show, agora esse texto da RollingStone.

Por falar no livro, creio que vai demorar bastante para concluí-lo, graças a esse lance do concurso. Apesar de minha vontade de devorá-lo, devo ter calma, afinal de contas o concurso é importantíssimo para dar outro rumo à minha vida.

Parabéns prá você!

O Flickr agora também permite postar vídeos (desde que tenham, no máximo, 90 segundos). Este é o primeiro que postei lá - os parabéns da festinha do João Roberto:

RollingStone

Ela já está na edição 19, mas só agora comprei meu primeiro exemplar (do mês de março, apesar de eu ter comprado em abril). Acho que não levei muita fé quando ela foi enfim lançada no Brasil e não tinha sequer um website para os ratos de internet como eu. Refiro-me à revista RollingStone.

Estou começando a lê-la e devo dizer que estou gostando. Transcrevo abaixo a coluna Vida Pop, do Miguel Sokol, falando sobre os absurdos preços dos ingressos de shows internacionais no Brasil:

Bob Dylan: Eu não fui

Nem iria, não enquanto um maldito ingresso custar R$ 900,00, dinheiro que compra a discografia completa dele, mais a videografia, a bibliografia e ainda de sobra um troco para uma “cervejografia”, completa.
Tá bom, R$ 900,00 era o preço V.I.P. (“very idiotic pelople”), em São Paulo. Falemos então dos ingressos populares, daquelas cadeiras atrás da pilastra, quase dentro do banheiro, vendidas a R$ 250,00. Por favor! Um lugar no céu por toda a eternidade e com vista para o mar custa mais barato do que isso em qualquer igreja que loteou o paraíso.
Ainda que o Dylan fosse um caso isolado...Mas o Sean Kingston(!) chegará a R$ 300,00(!!). E não adianta chamar a policia. Ou você faz questão de esquecer que para ver o Sting e companhia no gigantesco Maracanã se desembolsava quinhentão?Ok, quem não se incomodou em só ouvir, sem enxergar porra nenhuma, pagou mais barato.
E a piada não tem graça. Organizadores resolveram que shows no Brasil são eventos sociais, verdadeiros cruzeiros pelo Caribe, bicho. E quem gosta de música que vá para o inferno.
O que se passa na cabeça perigosa desses hediondos idiotas? Já sei: “Bob Dylan tem 66 anos, então é um show de tiozão. Enche de mesa, meta a faca na entrada e estoca azeitona, porque a gente vai vender muito martini lá dentro”.
É por essas e outras que o Skank precisou de uma década de sucessos terríveis como “Jack Tequila” para descobrir os Beatles e ter a oportunidade de gravar Maquinarama. E a culpa não é deles. Qual Samuel Rosa aos 19, 20 anos de idade tem R$ 900,00 no bolso pra freqüentar Bob Dylan? Eu sei. Aquele mesmo que, quando cresce, se torna mais um crítico descolado que gosta mais de si mesmo do que de música, e sai por aí dizendo que o Strokes estão ultrapassados só para lamber o próprio saco, elogiando qualquer banda com menos de uma semana de existência. E pelo simples motivo que só ele a conhece. Deus me livre!
Não. Eu não fiz, faço ou farei questão de ir a esses shows caros. Essas apresentações do Bob Dylan no Brasil estavam para o rock assim como os camarotes da Sapucaí estiveram para o Carnaval: Samba uma pinóia! Só aquele monte de celebridades querendo dinheiro para vestir camisa de marca de cerveja.
Tudo não passa de uma grande vitrine de loja dos horrores, cheia de gostosas pleiteando uma vaga na coluna social, canibais poderosos que não tinham aonde levar as amantes antes do ‘jantar’ e toda a sorte de VIPs, BBBs e PQPs.
Mas quem teve coragem de vender a mãe para encarar essa sucursal do inferno, com certeza foi recompensado por um Bob Dylan que , mesmo sem fazer a menor idéia de onde tinha se metido, sabia exatamente onde estava. Se não soubesse, essa não seria a turnê de um disco chamado The Mother Times, amigos.”

Aniversário

Há 8 dias foi o aniversário do João Roberto, meu filho caçula. Fizemos nossa tradicional humilde festinha que foi bem legal (o cachorro-quente e o bolo estavam uma delícia) e tiramos muitas fotos. Só ontem mandei algumas para o Flickr, e vou colocar 3 aqui embaixo:

- Eu e os dois moleques:

Aniversário de João Roberto VII


- A mamãe e o sonolento aniversariante:

Aniversário de João Roberto IV


- A decoração:

Aniversário de João Roberto I

Final da Taça Rio

domingo, 13 de abril de 2008

Botafogo 3 x 0 Flamengo. A final da Taça Rio será entre os alvinegros e o Fluminense. Não tenho preferências, apenas espero que o vencedor detone o Flamengo.

Diário

Novamente um passeio forçado por São Francisco do Itabapoana. Dessa vez na parte da tarde. Mais uma vez fiquei de bobeira na internet, ao invés de ler um livro, que é o que tradicionalmente faria, ou estudar para o concurso do TRT, que é o meu novo interesse (apesar de eu ainda não ter começado os estudos propriamente ditos). Pode parecer que estou reclamando de mim mesmo, mas não - a internet é fascinante, e passar uma hora de bobeira navegando nunca é tempo perdido. Vejo fotos, leio feeds no Google Reader, notícias.

Por falar no concurso, estou arrumando um monte de material para ver se estudo decentemente para este. Material em áudio e em vídeo, pois já percebi que só ler e fazer uma ou duas anotações não dá em nada. Tenho a expectativa de, se não conseguir ficar bem posicionado, ao menos estabelecer um modus operandi de estudos autodidatas, e fazer um estoque de conhecimentos relacionados a algumas áreas do Direito.

Sem ambições

No ano passado, o Vasco foi o único dos grandes que chegou à semifinal dos dois turnos. No entanto perdeu em ambas e não chegou a nenhuma das finais. Neste ano graças a um regulamento camarada ambas as semifinais foram realizadas entre os quatro grandes, e o Vasco novamente perdeu em ambas, ficando fora das finais dos turnos pelo segundo ano consecutivo.

Se não conseguimos nos impor nem dentro do nosso estado, qualquer ambição a nível nacional parece totalmente irreal; a nível continental, então, parece um delírio.

Um post em trânsito

sábado, 12 de abril de 2008



Estou teclando aqui de São Francisco do Itabapoana, através de meu recém-adquirido modem portátil da Vivo, que vai me permitir utilizar a internet em qualquer lugar com o notebook e me enforcar um pouquinho mais financeiramente.

Milagre do futebol: Getafe 3 x 3 Bayern de Munique (Bayern classificado)

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Amigos, acabo de presenciar um dos milagres do futebol: Bayern de Munique nos últimos minutos da prorrogação conseguiu dois gols e se classificou para as semifinais da Copa da Uefa, quando tudo levava a crer que seria o Getafe o classificado. Depois de conseguir um gol no finalzinho do jogo, conseguindo levá-lo para a prorrogação, sofreu dois gols logo no início desta, mas graças a uma falha grotesca do goleiro Pato Abbondanzieri e uma determinação incrível de Luca Toni conseguiu empatar o jogo em 3 a 3 e levar a vaga.

Toni, ao marcar depois da falha do goleiro, levou a bola até o meio do campo e apontou para a cabeça como que dizendo "levantem na área que eu resolvo", e resolveu mesmo: um cruzamento em sua cabeça selou a vaga dos bávaros.

São momentos como esse que levam ao raciocínio que diz que nenhum esporte é tão emocionante como o futebol.

Gênero menor

Hoje pela manhã concluí a leitura de Sangue na Lua. Um livro policial interessante, mas o seu desfecho ficou muito abaixo das boas expectativas que a trama trouxe. Sendo assim, minha nota é 6,5.

Falando em livros policiais, creio ser este um gênero um pouco menor da literatura: mesmo quando o livro em questão é bom em todos os momentos, não dá para considerá-lo literatura da mais alta qualidade.

Concurso

terça-feira, 8 de abril de 2008

Mais um concurso público para mim: saiu o edital para o TRT-RJ.

Será que vou tomar vergonha na cara, largar essa cachaça de livros e internet e me concentrar em melhorar de vida (com o pensamento de que, ao melhorar de vida, poderei ter mais internet e ainda mais livros)? O tempo dirá.

É Massa!

domingo, 6 de abril de 2008

Vitória de Massa, com Raikkonen em segundo e Kubica em terceiro. Esses 10 pontos vão tirar um forte peso das costas do brasileiro; espero agora seu problemas de nervos diminuam de intensidade. Ou seja, se errar, é melhor tirar alguma lição do erro e seguir em frente, e não ficar remoendo-o.

Obs.: Galvão referiu-se à vitória como "de ponta a ponta". É algo que venho notando em suas transmissões. Corrijam-me se eu estiver errado, mas "vitória de ponta a ponta" é quando o piloto começa na pole e não perde a liderança em momento algum da corrida. Como pode o Massa largar em segundo e perder a liderança nos momentos após os pit-stops e ainda assim vencer de ponta a ponta? Quem eu vi vencer de ponta a ponta várias vezes foi o Damon Hill com sua Williams: largava na pole, abria no mínimo um segundo por volta em relação ao segundo e mesmo quando ia para os boxes não perdia a liderança, graças a enorme vantagem conseguida.

Liberdade de expressão

"Como falar em liberdade de expressão em países que têm 20% ou 30% de analfabetos e 80% entre analfabetos plenos e funcionais? Com que critério, com que elementos podem opinar?"

Fidel Castro
Líder cubano


Não acho que Fidel tenha a "envergadura moral" para dar lições de moral ao mundo, mas não dá para negar que esta sua afirmação está corretíssima.

Nervos

Felipe Massa driving for Scuderia Ferrari at the 2007 Bahrain Grand Prix.Image from WikipediaEstá rolando o GP do Bahrein, com Felipe Massa em primeiro. Se ganhar, a temporada começa para ele, com duas corridas de atraso. Mas é inegável que ele tem um problema de nervos, e se algo der errado é bem provável que a temporada dele inteira tenha ido para o lixo.

2 anos

Hoje meu filho caçula faz 2 anos de vida.

Fou uma surpresa quando ele veio, não esperávamos ter uma segundo filho tão pouco tempo após o nascimento do primeiro, mas adoramos a idéia de ser pais de dois moleques.

A cada dia que passa ele traz uma surpresa. Garoto muito curioso, falador, pensador, teimoso, adorável.

João tirando onda III


Feliz aniversário, meu lindo.

"Nós vai"

sábado, 5 de abril de 2008

Em sua gramática, há uma discussão sobre língua falada e língua exemplar. Pode falar sobre isso?

- Uma língua histórica é uma língua sem adjetivos, que não podemos chamar nem de popular, nem de escrita ou padrão. É como um grande guarda-chuva lingüístico onde se abrigam tanto o grande quanto o médio escritor, o falante culto e o analfabeto. Esse guarda-chuva abriga tanto o "nós vamos" como o "nós vai". E ambos fazem parte do português, uma língua que varia pelo uso das pessoas. Você fala espontaneamente ou você fala de um jeito mais calculado. É como a roupa: você tem a de dormir, a de passear, a de trabalhar. Toda essa vestimenta está atrelada às ocasiões. A língua também. Durante muito tempo o professor nos ensinou que havia uma única língua padrão, a correta. Mas o necessário é ser um poliglota da língua.


Trecho da entrevista de Evanildo Bechara para o Jornal do Brasil (dica do Todoprosa).

Sangue na lua

Depois da demorada leitura da biografia do Woody Allen (não que o livro seja grande - eu é que enrolei muito), vou iniciar um daqueles milhões de policiais que adquiri no final do ano passado: Sangue na Lua, de James Ellroy. Tentarei fazer uma leitura rápida, para depois mergulhar em mais uma biografia - a do Bob Dylan.

Um quarto de hora

Outro dia comentei no blog do Rafael que parei de assistir à MTV há muito tempo, desde quando a música deixou de ser prioridade em sua programação. Pois bem, não me recordo exatamente por que - provavelmente alguma propaganda vista enquanto zapeava pela Sky - mas o fato é que abri uma exceção para o canal: tenho assistido ao programa 15 Minutos, apresentado pelo Marcelo Adnet.

Trata-se de uma atração bem legal, em que Adnet e seu parceiro, um mascarado chamado de "Quiabo", passam os 15 Minutos do título em um quarto bagunçado falando sobre qualquer assunto. O entrosamento entre eles é muito bom, e Adnet é um cara sensacional, com um pensamento muito rápido e um ótimo papo.

Outro dia folheando uma Revista da TV li um comentário sobre o programa onde dizia-se que Adnet era "um ator desconhecido". Bem, pode ser desconhecido para quem só assite à novela da Globo e ao Faustão, mas na TV por assinatura ele não é um rosto desconhecido: quem viu Mandrake na HBO sabe quem ele é, além disso ele também é figurinha constante no ótimo Cilada, programa do Multishow.

Ótima leitura

Enfim terminei a leitura da biografia do Woody Allen. Adorei-a. O exemplar que está em minhas mãos pertence à biblioteca da Caixa e, claro, vou ter que devolvê-lo. Mas creio que acabarei adquirindo um para colocar na estante como uma obra de referência e consultá-lo sempre que quiser. Pena que o livro só cubra o período da vida e obra dele que se encerra em 1990; seria ótimo saber mais sobre suas realizações dos últimos 18 anos. Segue mais um trecho, lá do finalzinho (reitero que a tradução é de Giovanni Mafra e Silva):

O fato de nunca ficar completamente satisfeito com um filme não significa que não tenha motivos para ficar, apesar das exigências que faz a si próprio. Sua “maior emoção seria fazer um filme em que, ao terminá-lo, pudesse dizer: ‘este filme equipara-se ao melhor de Buñuel, de Bergman e de Kurosawa’. Isso me daria uma reconfortante sensação. Até agora nem sequer me aproximei. Acho que fiz alguns filmes decentes e muitos outros divertidos, mas nunca fiz um grande filme. Um grande filme para mim é A grande ilusão [La grande illusion] [de Jean Renoir], Cidadão Kane, Ladrão de bicicletas, ou Quando as mulheres pecam. Woody acha que A rosa púrpura do Cairo é o melhor de seus filmes, e que Zelig é uma de suas melhores tentativas. Sempre teve muita fé em Memórias, um filme muito impopular. Também gosta de Noivo neurótico, noiva nervosa, Manhattan e Hannah e suas irmãs, sua trilogia nova-iorquina de comédias românticas. Estes seis filmes, diz ele, e A era do rádio, são seus melhores, e sua realização lhe dá alguma esperança para trabalhos ainda melhores no futuro. Reconhece que são decentes. Simplesmente não são suficientemente bons para satisfazer sua ambição.

“Não são filmes classe A”, diz, “são classe B, embora não se refira à maneira que normalmente se fala de filmes classe B, como produções de segunda classe; são todos filmes sólidos, funcionam nos termos a que se propuseram e, em alguns deles, há inspiração. Porém não realizei um Morangos Silvestres ou um A grande ilusão. Vou tentar chegar lá antes do fim da vida. Terei ocasião de fazer um ou dois filmes que serão considerados grandes sob qualquer aspecto: você verá os presunçosos falando na TV, dizendo que é o máximo; até mesmo os piores críticos o acharão um grande filme e o público também. Elevaria todo o conjunto de obras que já realizei. Qualquer artista – Fellini, Bergman – encontra-se na mesma situação. Fizeram um grande número de filmes. Nem sempre fazer Amarcord ou Gritos e sussurros. Alguns são verdadeiramente grandes, como O sétimo selo, outros acima da média, como Luz de inverno, e o resto é apenas correto. Contudo, o conjunto de suas obras é elevado por essas pequenas estrelas brilhantes. O que falta no conjunto de meus filmes são esses pequenos brilhos de luz. Talvez agora, que passei dos cinqüenta anos, esteja mais vonfiante, e possa produzir algo que seja verdadeiramente literário.”

Prisões brasileiras

sexta-feira, 4 de abril de 2008

No mês passado a revista Superinteressante publicou uma reportagem bem legal intitulada A cadeia como você nunca viu. Era, como dá para concluir pelo título, sobre as prisões brasileiras, mais especificamente sobre o cotidiano dos presos e suas formas de "organizar" a convivência, criando um microcosmos jurídico cheio de taxas, obrigações e punições.

Pois bem, na edição desse mês - que estou começando a ler - há duas cartas comentando esta reportagem que quero citar aqui:

Sou policial militar há 15 anos e há 8 trabalho no maior presídio de Pernambuco. Lá existem os absurdos que a boa matéria revelou e ainda outros, como o pagamento de dívidas de droga com o corpo da própria companheira. O que me leva à conclusão de que cada mundinho desses ostenta seus monstruosos conceitos sem nenhum incômodo. O Estado, por sua vez, resume-se à criação de rótulos fantasiosos para o sistema carcerário: "reeducando"; "ressocialização"...

ÁLVARO BEZERRA DA SILVA, RECIFE, PE


Depois de ler a matéria de capa sobre a cadeia, fiquei surpresa com meus sentimentos. Não senti raiva nem ao menos indignação. Na verdade fiquei foi surpresa com o modelo de organização da vida nas cadeias e penitenciárias brasileiras, onde nada é formalizado, mas todas as regras são respeitadas. Me perguntei por que lá dentro as coisas funcionam e a resposta foi simples: porque há punição para quem não respeita as regras.

CÁTIA CRISTINA SOUZA, CARAPICUÍBA, SP


A reportagem completa está aqui.