Difícil mudar

sábado, 29 de março de 2008

Retirado da biografia do Woody Allen (a qual parece que nunca terminarei de ler):

No outono de 1987, quando estava em frente ao Duplex, esperando para fazer uma tomada de A Outra, Woody comentou: “Estou muito feliz com o andamento deste filme. Acho que tenho uma chance com ele, e que as pessoas reagirão. Comecei com Interiores, e Setembro [que estava para ser lançado] vai me levar mais adiante nessa direção. Claro que posso não me dar bem, mas talvez no próximo ou no outro a coisa funcione. Porém, agora, vejo isso como o ápice de uma jornada que imaginava levar dez anos mas que já dura cerca de 25”. No final das contas, o filme acabou não obtendo o reconhecimento que ele esperava. O sucesso crítico e financeiro de Crimes e Pecados levou-o um pouco mais adiante, mas não é o filme completamente dramático, sem sua participação como ator, que quer realizar. Outro problema adicional para ele é que como realizador de obras dramáticas não teve o privilégio de um desenvolvimento gradual como ocorrera com o jovem escritor de comédia. Como é bem sucedido em outras áreas, ele não pode avançar gradualmente em um novo campo; para ser levado a sério, tem que criar sucessos dramáticos consumados. Seus filmes sérios são julgados por comparação com suas comédias, e não por si mesmos, havendo portanto pouca tolerância por fracassos interessantes ou por provocativos quase-sucessos; tampouco há uma ampla receptividade pelos acertos.


Obs1.: esse texto foi escrito por volta de 1990.
Obs2.: a tradução é de Giovanni Mafra e Silva

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