Um erro

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Copa de 2014 no Brasil. A respeito desse assunto coloco-me ao lado daqueles que acham que isso é um absurdo, afinal de contas o Brasil tem muitas outras prioridades, e o dinheiro (e vai ser uma quantia gigantesca) que vai ser investido nesse evento deveria ser gasto em educação, saúde, segurança pública e muitas outras coisas mais importantes.

Há os que dizem que é importante trazer a copa para o Brasil para fortalecermos nossa posição não apenas no futebol mundial, mas na política como um todo, para mostrarmos ao mundo que somos capazes de qualquer coisa, que é necessário primeiro fazer crescer o bolo para só então redistribuí-lo. Balela! O Brasil não é um país sério, como vamos nos exibir ao mundo como poderosos enquanto tanta gente é analfabeta (os números dizem que o analfabetismo vem caindo, mas acontece que consideram qualquer pessoa que sabe desenhar o próprio nome como perfeitamente alfabetizada, o que é ridículo), enquanto tanta gente é refém do tráfico de drogas e da violência, enquanto o brasileiro é um ser que só pensa em si mesmo.

Quero ir embora desse país, morar em um lugar melhor, mais tranqüilo. Talvez a Dinamarca, Suíça, ou, quem sabe, uma dessas pequenas cidades do interior dos EUA.

Contagem regressiva

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Achei Amor, de Novo um livro enfadonho, chato mesmo. Muito calmo, um tanto contemplativo. Em resumo: a história não me capturou, portanto posso dizer que não gostei. Espero que a obra de Doris Lessing não seja toda assim senão poderei afirmar que o Nobel foi muito mal entregue.

Estou em contagem regressiva pelo lançamento do último livro do Harry Potter, portanto vou reler o 5º e o 6º livros da série para entrar no clima (o ideal seria reler a série toda mas seria trabalhoso demais). Portanto, hoje começo Harry Potter e a Ordem da Fênix.

Coluna

Na quinta-feira, quando estava prestes a sair do banco, fui pegar algo no chão, me abaixei e - crac! - uma terrível dor na coluna como se algo tivesse se quebrado me jogou no chão. Resultado: não trabalhei na sexta-feira e estou sob o efeito de alguns remédios.

Mas o interessante disso foi minha consulta com o médico na sexta de manhã. Eu disse a ele que estava sentindo uma dor fortíssima na base da coluna, ele apenas tocou a área e perguntou-me se era ali a dor. Era. Aí ele me receitou os remédios e me disse para retornar na segunda de manhã (daqui a pouco vou lá). Nada além disso. Sem exames minuciosos. Sem conselhos a respeito da minha saúde, como "você precisa emagrecer" ou "você precisa de exercícios físicos". O que eu quero dizer é que quando eu ainda estava exercendo minha antiga função no banco (dia 1º de novembro comemorarei 1 ano sem função), vivia tendo dores de cabeça excruciantes, a ponto de muitas vezes não conseguir trabalhar e ter que ir ao médico. Nessas ocasiões o doutor de plantão sempre me dava um remédio por via intravenosa (e eu tenho pânico de agulhas), me deixava repousando um monte de tempo e eu ainda tinha que brigar pelo atestado médico. Ou seja, por algo que era claramente um reflexo do stress do banco (a dor de cabeça) eu era tratado como um doente grave, enquanto que para algo que está me torturando, impedindo-me de me movimentar (o problema na coluna) eu sou dispensando em 30 segundos como um mero caso de rotina. Puxa, como é difícil entender a vida!

Mais sobre Sinal Fechado

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Na terça-feira postei a letra da música Sinal Fechado, do Paulinho da Viola. Pois eis que agora o Arthur Dapieve dedicou sua coluna de hoje n'O Globo a ela. Coincidência bacana. Segue aí o texto dele:

Sinal fechado?
Reflexão em torno de Paulinho da Viola

E lá vem Paulinho da Viola, fascinado por automóveis, fluindo sem retenções no seu novo trabalho, não mais um disco acústico, mas o “Acústico”, apresentando à geração MTV a gloriosa sutileza de “Timoneiro”, “Coração leviano”, “Para um amor no Recife”, “Pecado capital”...

Quando no meio da avenida se acende uma luz vermelha.

Na obra deste vascaíno de Botafogo, “Sinal fechado” ocupa um lugar sui generis desde 1969, ano em que conquistou o Festival da Record.

Não é samba, nem choro, nem vela, apesar de soar como oração profana. Concebida dentro de um ônibus, no Aterro, e influenciada por Villa-Lobos, às vezes, é quase dissonante.

Registra um diálogo entre dois motoristas parados lado a lado, tensos como num grid de Fórmula-1: “— Olá, como vai? “— Eu vou indo. E você, tudo bem? “— Tudo bem. Eu vou indo correndo, pegar meu lugar no futuro, e você? “— Tudo bem. Eu vou indo em busca de um sono tranqüilo, quem sabe? (...)” Paulinho não raro escala a canção como um interlúdio, separando as metades do show. Isso também ocorre neste CD/DVD “Acústico MTV”: faixa nove em 15, faixa 10 em 21. O autor sabe a perturbação que ela nos causa. Porque, mesmo nas suas composições mais melancólicas, a tristeza vem filtrada por uma serenidade zen-sambista. “Sinal fechado”, não. É iminência de a luz verdejar, angústia, pressa, esquecimento, fragmentação.

No século XIX, Leon Tolstói recomendou algo como: “Se queres ser universal, fala da tua aldeia.” Até os maiores gênios — e Paulo César Batista de Faria é um dos nossos grandes, embora desprovido do senso de marketing pessoal de alguns outros — são gênios não porque pairam no espaço e no tempo, mas porque são escravos da sua aldeia e do seu instante sobre a terra. Ou “Não sou eu quem me navega/ Quem me navega é o mar”.

Como o tempo de Paulinho sempre foi hoje, “Sinal fechado” tornou-se um clássico porque é a cara (fechada) de 1969, o primeiro dos dez anos sob a vigência do nefando AI-5. O ato discricionário baixado pelo marechal-presidente Arthur da Costa e Silva permitia ao regime, entre outras coisas, cassar os mandatos dos parlamentares e os direitos políticos de qualquer cidadão por dez anos, suspender a garantia de habeas corpus nos casos de “crimes políticos, contra a segurança nacional, a ordem econômica e social e a economia popular”.

Quando Paulinho parou os dois motoristas no “Sinal fechado”, portanto, até o personagem título corria o risco de ir em cana, simplesmente por ser vermelho. É deste sufoco, e não só da correria, competitividade, anonímia e amnésia da vida moderna, que a canção (não) nos fala. O subentendido ao mesmo tempo lhe garante a temporalidade — ela se sustenta melhor como retrato da época do que, por exemplo, as metáforas kitsch de “Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando)”, de Geraldo Vandré — e atemporalidade.

Um dos motoristas de Paulinho da Viola se desculpa com o outro: “Tanta coisa eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das ruas”. De uma forma ou de outra, muitos ainda somem na poeira ou no pó das ruas, como reafirma, de modo contundente, uma canção de dois anos atrás, “Não se preocupe comigo”, do único CD do F.UR.T.O., grupo-projeto de Marcelo Yuka. Ela dá voz fictícia ao seu primo “Danilo Carvalho de Souza, desaparecido na manhã de algum dia de 1999”: “(...) Não se preocupe comigo/ Mas com a época que devora caminhos e destinos/ Com tanta pressa/ Apagando rastros que nos ensinam e nos permitem voltar/ Não se preocupe comigo/ Mas eu não volto mais pra casa não.” Aliás, do jeito que as coisas vão, temo que em mais uma geração a premissa de “Sinal fechado” não seja mais compreendida, a não ser, talvez, nos exames teóricos do Detran ou no terreno da pura licença poética. “Peraí, como assim, dois motoristas param num sinal fechado?”, indagar-se-á o habilitando de 2032, “PARAM num sinal?!” Já agora ninguém pára mais num sinal fechado, mas todos reclamam dos avanços do Renan.

A justificativa da insegurança, concreta, letal, desconsidera a própria infração de avançar o sinal como fator a realimentar a sensação de insegurança. De qualquer forma, isso ocorre a qualquer hora, em qualquer esquina, na maior cara-de-pau. Cometido também por motociclistas e ciclistas, que crêem que as leis do trânsito não se aplicam a eles.

Ainda que vivêssemos num mundo melhor, na qual dois motoristas parassem em sinal fechado, respeitando o mais fraco pedestre, eles provavelmente não enxergariam o amigo no carro ao lado, tão carregado o insulfilm aplicado aos vidros dos veículos. (Não sei quanto a você, eu não faço sinal para táxis mascarados; ué, não é para evitar olhar para dentro deles?) Ainda que nos teletransportássemos a um universo de ficção científica, no qual os dois motoristas não apenas parassem em sinal fechado como não escurecessem o vidro, eles não se veriam, entretidos aos respectivos celulares. Não entre si, claro. Pensando bem, até aí, por vias transversas, vigoraria a incomunicabilidade de “Sinal fechado”.

Circo

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

E eu vou ter que agüentar o Romário como técnico do Vasco no jogo de hoje. The circus is in town.

Pouca literatura brasileira

Publiquei alguns posts atrás uma indicação para a Copa de Literatura Brasileira. Pois bem, acompanhando-a percebi que estou mais por fora da literatura nacional do que eu pensava. Dos 16 livros participantes, eu só li 1 (o excelente Mãos de Cavalo, do Daniel Galera, e ele foi eliminado logo na primeira fase). Dos outros 15, eu só havia ouvido falar de 2.

Isso deve ser um sinal de que estou voltado demais para a literatura estrangeira. Mas não acho que seja apenas culpa minha, afinal adquiro meus conhecimento através de um sem número de páginas aqui da internet além de algumas revistas, e elas pouco (ou nunca) referem-se à literatura brasileira atual (quando mencionam livros brasileiros, é para se referir a clássicos do passado).

Vou fazer um esforço para adquirir mais literatura do Brasil em minhas próximas compras.

Em busca de um sono tranqüilo

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Sinal Fechado, do Paulinho da Viola, é uma música para se ouvir de joelhos. Segue aqui a letra dela, de uma beleza dilacerante:

Sinal Fechado
Paulinho da Viola

Olá, como vai
Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo, correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranqüilo, quem sabe?
Quanto tempo...
Pois é, quanto tempo...

Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios...
Qual, não tem de que
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo, talvez
Nos vejamos, quem sabe?
Quanto tempo...
Pois é, quanto tempo...

Tanto coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa rapidamente
Pra semana...
O sinal...
Eu procuro você...
Vai abrir!!! Vai abrir!!!
Eu prometo, não esqueço, não esqueço
Por favor, não esqueça
Adeus... Adeus...

Parabéns, Raikkonen!

domingo, 21 de outubro de 2007

Meus palpites sobre a Fórmula-1 foram por água abaixo. Desde um pouco depois da metade do campeonato que tenho dito que o título ficaria na McLaren, só faltava decidir qual seria o piloto. O senhor Lewis Hamilton chegou à penúltima corrida do ano com 12 pontos de vantagem, o que lhe permitia já ser campeão nessa corrida. Pois bem, desperdiçou esta oportunidade com uma atuação desastrada. O mesmo Hamilton chegou a Interlagos ainda como favorito destacado, com 4 pontos de vantagem para o 2º colocado. Começou mal a corrida, com uma manobra ruim que lhe custou algumas posições mas creio que não seria problema algum para ele atingir a 5ª colocação (que lhe daria o título independente do resultado dos concorrentes), mas aí quem o deixou na mão foi o carro.

Estava torcendo pelo Alonso, nem sei por quê (mas como justificar o fato de que uns torcem pro Flamengo e outros escolhem uma vida de sofrimento, ao torcerem para o Vasco da Gama), mas o fato é que o campeão, num resultado algo bizarro, foi o Raikkonen, que começou a corrida com uma desvantagem de 7 pontos em relação ao Hamilton e terminou com 1 ponto de vantagem para os dois pilotos da McLaren.

Raikkonen me parece um bom piloto, comete poucos erros, mas costuma ser sempre desfavorecido pela sorte. Acho que Alonso e Massa são melhores que ele, mas pelo menos o resultado teve um grande mérito: premiar aquele que mais venceu corridas no ano, em detrimento dos mais regulares porém com menos brilho. Porque como dizia o Senna, chegar em segundo é chegar em primeiro entre os últimos.

Off-Line

Minha ligação com a internet é feita através de tantas conexões bizarras, fios espalhados pela casa toda, conectores desencapados que um dia algo de errado ia acontecer. Pois bem, de algum jeito a chuva que caiu nos últimos dias fez com que alguma coisa se soltasse e agora minha conexão cai e volta (mais cai do que volta), relembrando os terríveis anos da conexão discada. No momento em que escrevo, um chinelo (!) está segurando um conector num ângulo meio esquisito mas que está permitindo que me mantenha on-line.

Indicação

Uma competição muito legal para quem, como eu, adora literatura: Copa de Literatura Brasileira.

E por falar em literatura, o escolhido para ser minha próxima leitura é Amor, de Novo, da recém-laureada com o Nobel de Literatura Doris Lessing. Mesmo sem saber de quem se tratava eu comprei esse livro dela há alguns anos (na verdade fazia parte da coleção Grandes Escritores da Atualidade, que eu comprei quase completamente). Ainda sei pouca coisa sobre ela, mas como disse o Todoprosa, "Não gosto quando o Nobel vai para dramaturgos búlgaros ou poetas dialetais das Ilhas Maurício. Prefiro que premiem escritores que as pessoas lêem".

Livros, livros

sábado, 20 de outubro de 2007

Fiquei alguns dias sem postar e acabei não falando sobre os livros, então aí vai:

Praticamente Inofensiva é um livro com um texto espirituoso, mas achei-o muito confuso, em vários trechos tive dificuldades para entender o que se passava. Talvez tenha achado isso por já fazer mais de um ano que li o volume anterior do Mochileiro das Galáxias, mas creio que não, acho que o problema é do livro mesmo.

Medo e Delírio em Las Vegas (terminei de lê-lo hoje) foi bem melhor, com um texto insano e engraçadíssimo. Mas acho que ao longo dos anos em que esperei por seu lançamento criei uma expectiva muito grande, quase como se o livro fosse mudar a história da minha vida e é óbvio que isso não aconteceu. Grandes expectativas acabam gerando grandes decepções, já dizia Schopenhauer (li isso hoje neste texto).

Ainda hoje decidirei qual será minha próxima leitura.

Algumas palavras sobre futebol

A festa para o jogo da seleção no Maracanã foi bem bonita, e o resultado foi bom. Agora temos que transformar esse tipo de resultado numa rotina, ou seja, se o Brasil não for enfrentar um dos gigantes do futebol (Argentina, Itália, Alemanha, França, Inglaterra), então o resultado tem que ser uma goleada a nosso favor. Porque somos infinitamente superiores aos outros.

Quanto ao jogo de quinta-feira, bem, o Vasco precisa acabar com essa síndrome de Flamengo. Porque mesmo quando o time é relativamente bom e superior aos rubro-negros (como agora), o nervosismo acaba com tudo e lá vai a equipe entregar o jogo. Precisamos ganhar uns 5 jogos seguidos deles (inclusive umas 2 finais) prá ver se começamos a olhá-los de cima prá baixo, e não de baixo prá cima.

Tropa de Elite

Já faz duas semanas que assisti a Tropa de Elite no cinema (e não no DVD pirata). Enquanto assistia-o fiquei pensando em postar um monte de coisas por aqui, mas o tempo passou e acabei esquecendo. Mas agora um post do Rafael me fez voltar ao assunto. Mesmo tendo ele esfriado um pouquinho na minha mente, creio ainda ser capaz de tecer algumas considerações.

- A certeza de que tudo aquilo que aparece no filme é real (quero dizer, a guerra dos morros) me faz ter nojo de morar neste país, quem me dera ter condições financeiras para dizer bye bye Brasil e me mudar para algum lugar em que não tenha que me preocupar com policiais corruptos, balas perdidas, violência urbana, políticos extremamente desonestos e falta de civilidade.

- Independentemente do que eu disse acima, o filme é muito bom, ótimo mesmo, eu diria que um dos melhores do cinema nacional em todos os tempos (apesar de eu conhecer pouco da história do cinema nacional pré-retomada).

- Wagner Moura tem uma atuação arrebatadora e seu personagem, o Capitão Nascimento, entra para a história como um dos maiores criadores de bordões do cinema nacional.

Gonzo

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Nova aquisição para minha maravilhosa biblioteca: Medo e Delírio em Las Vegas, o clássico gonzo de Hunter S. Thompson. Já está garantido como minha próxima leitura, depois de encerrar a metralhadora giratória de piadas inteligentes de Praticamente Inofensiva.

Retornando aos livros

Depois de dar uma olhadinha nas minhas revistas durante este fim-de-semana, retorno aos livros. Vou iniciar Praticamente Inofensiva, do Douglas Adams. Parece-me que ele é uma continuação não-oficial da saga do Mochileiro das Galáxias.

Quanto àquele livro em que faltam 30 páginas, já adquiri um exemplar (agora vou esperar chegar para retomá-lo).

Velhos tempos

domingo, 14 de outubro de 2007

Que joguinho chocho esse do Brasil, hein! Ainda bem que antes desse deu para relembrar os velhos tempos: tempos estes em que o Vasco vencia partidas! Depois de oito jogos sem ganhar um jogo triunfamos (2 a 1) sobre o Botafogo. Que seja esse o fim da má-fase. Libertadores está fora de cogitação, mas façamos com que essas últimas sete partidas sirvam para dar esperanças de um 2008 melhor.

Mutilado

sábado, 13 de outubro de 2007

O livro que eu estava lendo (O Intruso, de Peter Blauner) estava parecendo-me bem legal (sem grandes inovações, apenas uma trama que prometia bastante) até que cheguei à página 64. Terminei de lê-la e parti para a próxima, só que a próxima era a 97. Ou seja, mas de 30 páginas foram suprimidas do exemplar em minhas mãos. Procurei a Eloísa, minha colega do banco que foi quem doou o livro para nossa biblioteca. Ela disse-me para continuar lendo mesmo assim, pois o livro seria muito bom. Bem, é claro que não vou continuar lendo-o. Para onde irá este mundo se pularmos 30 páginas de um livro e tudo ficar por isso mesmo? Jamais conseguirei fazer isso. Agora vou ter que arranjar um outro exemplar do livro.

Enquanto isso vou fazer algo que estava previsto para após a leitura deste livro. Darei uma olhada no monte de revistas que estão sobre a minha mesa, as quais deixo sempre de lado privilegiando os livros. Mais ou menos na segunda-feira escolho outro livro e retomo minha vida literária.

"Lá tem Jesus/ E está de costas"

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Abaixo segue a letra da ótima canção Subúrbio do Chico Buarque. Quem, como eu, viveu nos subúrbios cariocas fica feliz com essas palavras do Chico. Além disso, me bate um sentimento meio infantil de adorar ouví-lo falar "é foda" durante a música.

Subúrbio
Chico Buarque

Lá não tem brisa
Não tem verde-azuis
Não tem frescura nem atrevimento
Lá não figura no mapa
No avesso da montanha, é labirinto
É contra-senha, é cara a tapa
Fala, Penha
Fala, Irajá
Fala, Olaria
Fala, Acari, Vigário Geral
Fala, Piedade
Casas sem cor
Ruas de pó, cidade
Que não se pinta
Que é sem vaidade

Vai, faz ouvir os acordes do choro-canção
Traz as cabrochas e a roda de samba
Dança teu funk, o rock, forró, pagode, reggae
Teu hip-hop
Fala na língua do rap
Desbanca a outra
A tal que abusa
De ser tão maravilhosa

Lá não tem moças douradas
Expostas, andam nus
Pelas quebradas teus exus
Não tem turistas
Não sai foto nas revistas
Lá tem Jesus
E está de costas
Fala, Maré
Fala, Madureira
Fala, Pavuna
Fala, Inhaúma
Cordovil, Pilares
Espalha a tua voz
Nos arredores
Carrega a tua cruz
E os teus tambores

Vai, faz ouvir os acordes do choro-canção
Traz as cabrochas e a roda de samba
Dança teu funk, o rock, forró, pagode
Teu hip-hop
Fala na língua do rap
Fala no pé
Dá uma idéia
Naquela que te sombreia

Lá não tem claro-escuro
A luz é dura
A chapa é quente
Que futuro tem
Aquela gente toda
Perdido em ti
Eu ando em roda
É pau, é pedra
É fim de linha
É lenha, é fogo, é foda

Fala, Penha
Fala, Irajá
Fala, Encantado, Bangu
Fala, Realengo...

Fala, Maré
Fala, Madureira
Fala, Meriti, Nova Iguaçu
Fala, Paciência...

Praia

Hoje levei meus filhos à praia. Foi a primeira vez deles (bem, quase, já que o Marco Antônio já tinha ido à Atafona uma vez, quando tinha apenas alguns meses, mas foi durante o inverno e a intenção não era ir à praia, mas visitar uma amiga nossa que morava por lá). Engraçado que um cara que tenha passado tanto tempo de sua infância na praia (fosse no Flamengo, lá no Rio, ou nas várias idas a Arraial do Cabo), que adorava entrar no mar só agora tenha levado sua prole para conhecê-lo. Mas a verdade é que quando cheguei à adolescência misteriosamente passei a não mais curtir a praia. Não sei se foi trauma de uma ocasião em 1994 em que quase morri afogado, mas a verdade é que hoje em dia (mesmo tendo passado muitos dias legais de verão com a galera da Federal em Grussaí) não sou muito chegado a ir lá.

Fim da greve

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Acabou a greve. Hoje já trabalhei, a agência ficou infernalmente lotada.

Contos rasos

Acabei o livro do Rubem Fonseca, Pequenas Criaturas. Achei a maior parte dos contos bem fraca, muito superficiais, com pouca coisa a dizer. Já li coisas muito, mas muito melhores dele.

Estou agora começando O Intruso, de Peter Blauner. Esse livro estava abandonado na bibliotecazinha lá da agência, por acaso dei de cara com ele, gostei do que li na contra-capa e na orelha e agora vou devorá-lo.

Bem provável que acabe hoje

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Parece que a greve acaba hoje. A Caixa fez uma nova proposta que é um pouquinho melhor que a anterior e como nós adoramos melhoramentos infinitesimais, deverá ser apovado o final da greve.

Suspense

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Todas as bolsas de valores estavam paralisadas esperando minha decisão para poderem voltar às suas atividades normais. Pois bem, está batido o martelo: minha próxima leitura será Pequenas Criaturas, do Rubem Fonseca.

Sete gols

Deixe-me registrar aqui um fato exótico: Afonso Alves (do Heerenveen), o atacante que o Dunga vive convocando e ninguém nunca viu jogar (talvez nem ele), marcou sete (!!!) gols em um único jogo. A vítima foi o Heracles Almelo, penúltimo colocado na Eredivisie (a 1ª divisão do Campeonato Holandês). Bem, não importa o quão fraco tenha sido o adversário, sete gols em um jogo é um feito raríssimo e não se pode deixar de parabenizar o Afonso por isso.

Esse meu primogênito...

Meus moleques são demais! Vejam aí um vídeo do Marco Antônio, meu primogênito, lavando uma cadeira:

A metade negra - não gostei

Terminei A Metade Negra. Não sei se achei o livro ruim por ser ele ruim mesmo ou por causa da overdose de Stephen King que ando tendo neste ano (mais ou menos 20 livros lidos dele em 2007). Bom, de uma forma ou de outra o fato é que para um livro de terror ele tem alívios cômicos demais, muitas passagens artificiais (não me referindo à trama propriamente dita - afinal, é difícil achar verossimilhança em uma história de horror - mas a pequenos detalhes como por exemplo as insistentes gargalhadas que alguns personagens insistiam em dar em momentos totalmente impróprios) e a história não prende como outras do mesmo autor.

Ainda não escolhi minha próxima leitura.

Pequenas mudanças

Mexendo um pouquinho no template do blog, mais precisamente acrescentando mais alguns itens à barra lateral: duas imagens do Last.fm, uma mostrando as músicas que ouvi mais recentemente, outra com um mosaico com as capas dos álbuns que mais ouço (esta não tem muita utilidade, mas é bem bacana); uma barra com os 20 posts mais recentes dos blogs que acompanho através do GoogleReader (talvez 20 seja um número muito grande, mas vou deixar assim mesmo); uma barra com itens compartilhados do meu GoogleReader, ou seja, itens que li por lá e achei que seria legal apresentar aos meus milhões de leitores (só acho que não está funcionando muito bem, creio que deveria ter mais informações sobre o texto em questão além de simplesmente seu título); e um iconezinho do Technorati, que não sei muito bem como funciona mas já já descubro.

Continua II

E segue a greve. Continuo, pois, aqui em casa em um momento de auto-conhecimento.

Adeus, Libertadores!

domingo, 7 de outubro de 2007

Não me manifestei após a ridícula derrota para o Juventude mas agora não tem jeito: jogo a toalha, não dá mais para nos classificarmos à Libertadores. A campanha que ia tão bem de repente passou a ser catastrófica. Estamos agora em 11º e se não tomarmos cuidado a zona de rebaixamento nos alcança. Melhoremos, então, para ver se pelo menos conseguimos retornar à Copa Sul-Americana no ano que vem. Aliás, se conseguirmos ir adiante na Sul-Americana neste ano quem sabe não entra mais dinheiro e a diretoria (entenda-se o sr. Eurico Miranda) consegue montar um time melhor para o ano que vem.

Corrigindo uma injustiça do destino

O Rafael é um grande cara, tem um grande cérebro. Estudamos juntos na 7ª série, passamos 4 anos meio que nos esbarrando pelos corredores da antiga ETFC e agora estamos meio distantes, mas com a internet é bem difícil ficar distante de alguém. Pois aí vai (que rufem os tambores) um link para o blog dele:

Pára de Falar e Faz

¨

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Dois posts atrás eu quis dar uma de inteligente e mandei (bem no título, veja só que exibicionista!) a palavra "Língüa" bem assim, com os dois pontinhos em cima do "u", mais conhecidos como trema. Bem, o Rafael mandou um comentário perguntando se o trema havia sido intencional. Claro que foi, pensei eu, e já fui correr atrás de fontes aqui na internet que confirmassem que a palavra realmente leva trema. Qual não foi meu constrangimento ao descobrir que não leva. "Língua" (agora sim) não leva trema. Trema só em "güe", "güi", "qüe" e "qüi". Eu, como futuro graduado em Letras e leitor de centenas de livros, deveria saber disso. Bem, agora já sei.

Continua

Segue a greve: mais um dia de, digamos, reflexão aqui em casa.

Língüa Portuguesa

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Interessante texto (originalmente publicado no Jornal do Brasil) do Martinho da Vila sobre a Língüa Portuguesa, essa desconhecida:

O português nosso de cada dia

Participei da Bienal do Livro num bate-papo na Arena Jovem com o brilhante professor André Valente e o catedrático Pasquale Cipro Neto. Foi uma experiência enriquecedora. Não me arvorei em falar de lingüística ao lado dos dois mestres no assunto. que fiz foi dar uns palpites sobre o tema.

Acho que a nossa língua não está morrendo pela boca, porque o Brasil está diminuindo o analfabetismo, o número de leitores está aumentando e, portanto, a cada dia temos mais gente falando melhor.

O português do Brasil é muito bonito quando as palavras são bem articuladas, mas a maioria dos brasileiros não se expressa muito bem, inclusive eu. Escrevo melhor do que falo e não dou trabalho aos revisores dos meus livros.

Por falar nisso, sempre que alguém manda um texto para dois revisores, as observações nunca são as mesmas. Costuma haver divergências na pontuação e até nas vírgulas.

A nossa língua é muito difícil mesmo. Poucas pessoas conseguem se expressar de maneira elegante, sem serem pedantes.

Todos sabem que o nosso português de cada dia é falado de muitas maneiras nas várias regiões. Palavras novas, ditas em diversos sotaques, acabam entrando para os dicionários e enriquecem o nosso vocabulário.

O pessoal do Norte ri do sotaque dos do Sul e vice-versa. O paulista acha gozado o jeito baiano de falar e os mineiros riem dos nordestinos, mas todos gostam do jeito carioca de falar, quando não exageramos nas gírias. Falantes de outros Estados estão diminuindo os seus sotaques e acredito que vai chegar o dia em que todos falarão como nós.

Com relação aos estrangeirismos, o que deveríamos fazer é aportuguesá-los, tanto na escrita como na fala, como fazem os franceses. Eles não se esforçam para pronunciar palavras de outras línguas da maneira original. Afrancesam tudo. Por exemplo, quando vou atuar na França e um apresentador vai anunciar o meu show, com personalidade, brada: "Avec vous, Martinho da Vilá".

Uma das vezes que eu estive em Paris, estava em cartaz um show de um artista americano que admiro, chamado Little Richard, mas não sei como se pronuncia, se é "lírou" ou "lítou". Fui comprar ingresso para o show dele, e pedi:

- Um Little Richard, por favor.

- Coman?

Aí eu mandei meu francês de rua:

- Je vê am bilhet pur Lírou Rítchar, sil vous plait.

Ele continuava não me entendendo, até que apontei para uma foto do artista.

- Pardon, messier me en France il s'apele Lirô Richard - ele disse, sorrindo.

Nas minhas andanças pelo Brasil, observo que o nosso português está se unificando naturalmente. Creio que num futuro mais longínquo, até os portugueses incorporarão a pronúncia brasileira. Às vezes brinco com portugueses amigos, dizendo que se eu morasse em Portugal, iria fundar uma escola de português do Brasil em Lisboa e ganhar dinheiro, porque a maioria dos lusos gosta da nossa maneira de se expressar.

Para terminar, declaro que não sou favorável à lei de unificação da língua portuguesa. Minha opinião é que devemos ser independentes na nossa escrita, seguindo apenas as diretrizes baixadas pelo Ministério da Educação e atentar para as observações da nossa Academia Brasileira de Letras.

Obrigado.

O trânsito em Campos dos Goytacazes

É horrível dirigir nessa cidade. Horrível. Os motoristas campistas só fazem cagada. Quando o sinal fecha, eles furam. Quando o sinal abre, eles ficam parados uns 10 segundos pensando na vida. Mudam de pista sem dar seta antes. Isso sem falar nas porcarias das biciletas. Ah, as bicicletas... sempre uma no canto ameçando ir para o meio da pista a qualquer momento,. Isso quando não são duas, uma ao lado da outra, os ciclistas paquerando uns aos outros. E nunca se sabe quando um caminhão cheio de cana recém-colhida vai começar a fazer umas manobras radicais, como se estivesse pilotando uma moto. E por falar em moto, creio que o uso de capacete por parte dos motoqueiros foi proibido por aqui. Só pode ser. Porque eles não usam nunca. Nunca. E os guardas são meros enfeites, nunca os vi multando ninguém. Todos podem fazer o que quiserem. Todos. Fiquem à vontade.

Porra!

Em greve

Os funcionários da Caixa Econômica Federal estamos em greve. Sendo assim estou aqui em casa. Já lavei louça, dei uma arrumada em algumas coisas, li algumas páginas de A Metade Negra (Onde Os Velhos Não Têm Vez já ficou prá trás) e fiz um almoço horroroso.

Em relação ao livro (mais um do King), em seu início o personagem principal (um escritor) descreve como criou toda uma biografia e um estilo de escrita para um pseudônimo e isto fez com que superasse um severo bloqueio de escritor. Talvez eu devesse fazer isso também, quem sabe eu consiga superar um imenso desânimo que faz com que eu não consiga escrever nada realmente bom há muito tempo (se é que algum dia escrevi - mas é certo que já escrevi mais e melhor do que hoje em dia).