Forno microondas

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Enquanto não encontro disposição para voltar a criar textos (será que algum dia encontrarei?), vou republicar um texto que publiquei em 28/01/2001 (perdoem-me o clichê, mas como o tempo passa rápido!) no ivox, sobre o disco O Som do Sim, de Herbert Vianna. Depois que publiquei-o, algumas outras idéias sobre o disco apareceram, mas o texto já estava publicado, além disso sinto-me firmemente ligado aos versos que dão título ao texto (retirados da letra que publiquei 1 post atrás).

"Tanto mar/ Me dê vento e vela/ Ou razão pra ficar"

Os versos aí do título são da última faixa do álbum, "Une chanson triste", que Herbert dedicou a Renato Russo. Eu acho que esses versos tem tudo a ver não só com o Renato, mas com o próprio Herbert e tantos outros grandes e inconformados artistas deste país. Essa coisa de nenhum ato deles ser gratuito, nunca ter ficado parado quando poderia se movimentar, estar sempre buscando algo, realmente esses três versos exprimem muita, mas muita coisa.

Bem, vamos ao álbum. Novamente Herbert traz um trabalho poderoso, com belas melodias e ótimas participações especiais, com destaque para Zélia Duncan, na música "Partir, andar", que fala sobre partida, morte ("Partir, andar, eis que chega/ Não há como deter a alvorada/ Pra dizer um bilhete sobre a mesa/ Pra se mandar, o pé na estrada"). Ele circula entra canções românticas e críticas sociais com uma convicção, uma certeza, que nos convence, como na música "História de uma bala", com Fernanda Abreu ("E declara arrogante 'Chegou a hora!'/ Afinal é só a morte, uma notícia comum/No jornal no chão de um supermercado/ Sem lógica, razão, sem aviso algum").

Um disco poderoso e que, como dizem os versos lá do título, comprova novamente que Herbert Vianna é incapaz de atos gratuitos.

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