domingo, 31 de julho de 2005

De minha atual leitura, Cenas de uma vida, de J. M. Coetzee:

Críquete não é um jogo. É a verdade da vida. Se é, como diz o livro, uma prova de caráter, então é uma prova pela qual ele não vê como poderia passar, e, no entanto, não sabe como evitar. No campo, o segredo, que em geral ele consegue disfarçar, é impiedosamente revelado e exposto. "Vamos ver do que você é feito", diz a bola enquanto assobia e rola pelo ar em sua direção. Cego, confuso, ele joga o taco para a frente, cedo demais ou tarde demais. A bola passa pelo taco, passa pelas bases e encontra seu caminho. Ele falhou na prova, foi descoberto, não há nada a fazer além de esconder as lágrimas, cobrir o rosto, trotar de volta sob o aplauso educado, compadecido, dos outros meninos.