domingo, 1 de maio de 2005

O Homem Indestrutível

Sempre pensei em mim como uma pessoa indestrutível, o que os fatos não costumavam desmentir. Quero dizer, sem doenças graves, nunca quebrei um osso, longos períodos sem comer, períodos comendo feito um maluco. Eu costumava pensar isso, até pouco mais de três anos atrás quando fui fazer uns exames admissionais para meu emprego na Prefeitura de Campos (no hospital, lembram-se?). Tiraram uma boa quantidade de sangue de mim e eu quis sair andando, quase correndo, pois estava com pressa. Resultado: tudo começou a ficar escuro e de repente eu estava sentado numa cadeira, com várias pessoas me observando, havia desmaiado. Era o princípio do fim.

Não virei hipocondríaco após o acontecido. Na verdade, minha fé na indestrutibilidade não decaiu, mas algumas coisinhas como passar mal aqui, enxaqueca fortíssima ali passaram a ter uma freqüência um pouco maior. Visitei médicos algumas (poucas) vezes, tendo, inclusive, ganho dois dias de folga da Caixa uns dois anos atrás.

Na segunda-feira desta semana que passou, tive uma forte dor-de-cabeça que não me permitia concentrar em nada, saí mais cedo do trabalho e vim para casa, indo depois para a emergência de um hospital da região. O médico (que aparentava ser mais novo que eu e com um semblante mais para Dawson's Creek do que para ER) olhou-me e me mandou tomar duas injeções (uma na veia e outra, digamos, nos glúteos) e me deixou com um diagnóstico bem falho: dor-de-cabeça forte. Será que tenho algo na cabeça? Bem, deve ter relação com um pouco de insanidade.

Bom, o fato é que agora sou pai e amanhã vou visitar um cardiologista (não tem nada a ver com a situação descrita acima, já estava marcado antes do acontecido). Há muito tempo não me consulto com um cardiologista, para falar a verdade acho que isso nunca aconteceu. Tenho medo do que ele vá dizer, será que terei que mudar muitos hábitos (porque uns poucos eu já sei que terei que mudar)?

Gosto de pensar em mim como um homem indestrutível, mas cada vez mais sei que isso não é verdade. Eu queria que fosse, mas não é.