domingo, 13 de março de 2005

Vendido!

Encaremos a verdade, senhoras e senhores: eu trabalho apenas pelo dinheiro. Na verdade, eu odeio meu emprego, dê-me um dia de feriado, um mês de férias, 20 dias de greve, e eu não sentirei falta por um minuto sequer daquela agitação do dia-a-dia. Talvez até quando eu tinha menos responsabilidades, trabalhava menos, talvez eu nem detestasse tanto o trabalho, mas, bem, eu ganhava muito menos e, vocês já leram isso, eu trabalho apenas pelo dinheiro.

Meu filho completou dois meses ontem, eu o amo muito, de verdade, tanto quanto amo sua mãe, apesar de persistirem os problemas de meu sono (como descrevi alguns posts atrás), cada minuto que passo longe dele é um sofrimento.

E dinheiro é tão importante assim?, poderão perguntar leitores mais desapegados. É. Eu preferia que não fosse, mas é. Esse mesmo dinheiro que compra minha sanidade mental durante o tempo em que estou trabalhando, devolve-a para mim quando não estou, com meus livros, meus filmes, remédios, fraldas, roupinhas, hipoglós, internet, futebol, meu recém-adquirido condicionador de ar (esse final de verão está de matar, é horrível ver meu garoto suando durante a madrugada - isto quando eu consigo acordar de madrugada).

Podem chamar-me cínico, mas temo que este adjetivo não me faça mudar de idéia. O fato é que vou investir uma pontinha deste dinheiro na mega-sena, e quem sabe ganhar alguns milhões para, aí sim, poder sentar-me na cadeira, e batucar no teclado que "o dinheiro não é importante, o importante é estar bem consigo mesmo e não se vender".