sexta-feira, 25 de abril de 2003

Puta que pariu, eu não agüento mais esta espelunca onde moro. Preciso me mudar daqui com urgência. O contrato termina em junho. Não agüento mais as formigas, a feiúra e a imundice. Só Ela salva. Ela e em grau muitíssimo menor, meus livros, filmes, revistas, músicas e meu xadrez. E já que falei em livros, renovo a ordem que dei a vocês: consumam Bukowski. Agora. Vou transcrever para vocês, só para dar um gostinho, o início do livro Hollywood:

Eu morava num conjunto de casas populares na Carlton Way, perto de Western. Tinha cinqüenta e oito anos e ainda tentava ser escritor profissional e vencer na vida apenas com a máquina de escrever. Iniciara esse curioso meio de vida aos cinqüenta anos. Mas não se pode viver sempre escrevendo, e havia muito espaço a preencher. Eu o preenchia com uísque, cerveja e mulheres. Acabei me enchendo da maioria das mulheres e me concentrei no uísque e na cerveja.

Na noite em que isso aconteceu, minha namorada Sarah estava lá em casa. Sarah tinha alguns pontos positivos. Por exemplo, me fazia mudar aos poucos do uísque para o vinho, o que provavelmente significava mais três anos de vida. E eu precisava destes anos extras, porque não escrevia o bastante.

Tem que conseguir o livro para ler mais, tudo bem? Só posso adiantar que Henry Chinaski (alter-ego do próprio Bukowski) é contratado para escrever um argumento para um filme. Estou investindo meus três dias de atestado médico na leitura deste livro. Ah, é verdade! Você não sabiam que estou em casa à base de atestado médico.

Pois é, estou no estaleiro.

Peguei um resfriado-gripe-crise-de-bronquite depois de dormir 4 noites no ar-condicionado no Rio de Janeiro (durante o feriadão). Terça a noite fui a um hospital e o médico - após examinar minha respiração, um raio-x do meu pulmão e me deixar 15 minutos fazendo nebulização – me deu o tal atestado. Legal, né? Três dias, quarta, quinta e sexta, emendando com o sábado e o domingo. Acho que a postura nestes hospitais particulares deve ser “cliente satisfeito sempre volta”.