sexta-feira, 21 de fevereiro de 2003

Mais um filme incorporado ao meu catálogo: Insônia.

De olhos bem abertos

Alaska. É para este fim-de-mundo para onde só vai quem está fugindo de algo que seguem os policiais Will Dormer (Al Pacino) e seu parceiro Hap (Martin Donovan). Eles ajudarão a polícia local a desvendar um estranho homicídio. Lá chegando, são recepcionados pela oficial Ellie Burr (nada-mais-nada-menos que a sumida Hillary Swank, Oscar de melhor atriz pelo papel de Teena Brandon/Brandon Teena em Meninos não Choram).

Acontece que, seguindo o padrão mencionado no parágrafo anterior, os policiais visitantes também têm algo a esconder. Hap está prestes a ceder à pressão da corregedoria e fazer uma denúncia que poderá jogar na lama toda a brilhante carreira de Dormer. Só que num cerco ao assassino, eles acabam tendo que persegui-lo em uma densa neblina e Dormer (sem querer ou propositalmente) acaba atingindo e matando seu parceiro. Para fugir de problemas, ele relata que o foragido matou seu parceiro. Aí começam os problemas: o assassino (interpretado por Robin Williams) o viu atirando.

Trata-se de um excelente filme policial, sem muitos tiros, sem muitas perseguições. Apenas um ótimo jogo psicológico, disputado por Robin Williams e por Al Pacino (que passa cinco dias sem dormir, já que no Alaska, durante cinco meses, o sol não se põe – as cenas em que seu personagem tenta, se sucesso, pregar os olhos são as melhores do filme). Um jogo que expõe bons dilemas: com que peso na consciência você é capaz de viver? Afinal, Pacino quis ou não quis matar seu parceiro?

Mais uma boa realização do diretor Christopher Nolan, o mesmo de Amnésia, contando com a participação de uma trinca de ganhadores do Oscar: a já citada Hillary Swank, Al Pacino (por Perfume de Mulher) e Robin Williams (de coadjuvante, por Gênio Indomável).

Texto originalmente publicado no ivox.