domingo, 16 de fevereiro de 2003

João Ubaldo Ribeiro, hoje em O Globo:

"A verdade parece ser que os Estados Unidos estão, como o lobo da fábula com o cordeiro, dispostos a atacar o Iraque de qualquer jeito. A maior parte de nós, julgo eu, é contra déspotas e ditadores — e, assim, não podemos apoiar Saddam Hussein. Também creio que pouca gente será a favor de atentados como os que atingiram tão brutal e barbaramente as duas torres do World Trade Center. E, pessoalmente, de novo como muita gente, não me manifesto contra o povo americano, ao manifestar-me contra a guerra. Os americanos não podem olhar os críticos da sua ação belicosa de seu governo na base do “não está comigo, está contra mim”. Pelo contrário, as manifestações populares contra a guerra estão assumindo proporções maiores a cada dia, nos Estados Unidos e vizinhos tradicionalmente aliados, como o Canadá.

Essa guerra tem que ser condenada porque nada desmente que ela seja ditada pela arrogância e cupidez de dirigentes motivados por interesses econômicos e geopolíticos. Esses governantes querem assegurar seu controle sobre o oceano de petróleo em cima do qual se assenta o Iraque, querem matar inocentes e arriscar-se a respostas terroristas imprevisíveis, numa escalada cujo percurso ninguém ainda pode calcular. O mundo assiste impotente a uma jogada de poder brutal puro e simples, cuja sustentação são alegações duvidosas, muitas vezes hipócritas e até baseadas, segundo se veiculou, em fontes como um trabalho estudantil ultrapassado, baixado da internet e citado solenemente na ONU, pelo secretário de Estado americano."

Faço, João, de suas palavras as minhas.