sexta-feira, 1 de novembro de 2002

Ainda sobre o suicídio da minha tia Marta, respondendo a um comentário enviado. Não foi proposital a forma "seca" através da qual me referi ao fato no post anterior. Acho que foi mais pela pressa de escrever que acabou saindo assim, como se fosse algo prosaico. Mas a verdade é que a dor foi enorme, ainda mais pela forma como aconteceu. Ainda mais por saber que ela comprou um bilhete de ida-e-volta do metrô ao dirigir-se para a UERJ (ou seja, ela ainda estava em dúvida). Ainda mais por saber que durante a quebrou os dedos das mãos por tentar se segurar nas grades das janelas.

Dor sem igual. Acho até mesmo que a pior parte é o que vem depois do enterro e de todas as formalidades. A pior parte é o vazio que fica em nossa lembrança e que vai permanecer para sempre, é saber que não tem volta e que não houve sequer um aviso para que pudéssemos nos preparar.